16 junho 2011

Anda.

Se quiseres vir,

Anda.

Mas se tua intenção for a de vir
para ser feliz

por favor,

Corre.


13 junho 2011

Parabéns:o)

"Caminho a teu lado mudo
Caminho a teu lado mudo
Sentes-me, vês-me alheado ...
Perguntas: Sim... Não ... Não sei...
Tenho saudades de tudo...
Até, porque está passado,
Do próprio mal que passei.

Sim, hoje é um dia feliz.
Será, não será, por certo
Num princípio não sei que
Há um sentido que me diz
Que isto - o céu longe e nós perto
É só a sombra do que é ...

E lembro-me em meia-amargura
Do passado, do distante, E tudo me é solidão ...
Que fui nessa morte escura?
Quem sou neste morto instante?
Não perguntes ... Tudo é vão."

Fernando Pessoa


Se tudo isto é vão, que será de mim ou de qualquer outro mortal? Que seria se nada disto fosse verdadeiro? Vão para ti em palavras e para mim pesado de mais só ao ouvido....

22 maio 2011

O descontexto...

Descontextualizei-me ao assumir profundamente que era demasiado jovem para poder deixar-me deslizar em sentimentos profundos. Concentrei-me mais noutras coisas...

Na verdade essa era toda a realidade que existia e assim ficou, até que dei por mim adulta mas ainda uma adolescente na forma de sentir... E tu, como todos, conjugaste as coisas como um homenzinho e nem olhaste para trás. Certamente nem tomaste consciencia. Fizeste bem... Era o que esperava de ti.

Ficou entretanto aquela sensação de imaginar o que podia ter sido mas não foi e dói só de pensar que o que podia ser, ficará para sempre congelado nessa pose tão bonita. Mesmo ao estilo de uma fotografia no World Press Photo:o)!

Ilusões... Que seria de mim se não?!:o)!



12 maio 2011

Steven Weinberg

" Com ou sem religião as boas pessoas farão coisas boas e as más coisas ruins, a diferença é que para que uma boa faça uma coisa má é precisa a religião."

Dá que pensar?

10 maio 2011

Conversas transversais para toda a vida:o)!

E vai-se entretida a ler um livrinho no metro, quando de repente entra no ouvido uma conversa também ela aleatória.
Eram dois miudos de seus custosos 15/16 anos... Um deles pacífico mas demasiado coerente como para parecer realmente um adolescente qualquer.

As frases vinham num contexto quase intermitente, porque este a que me refiro tomava seus largos minutos para responder ao primeiro. Falava-se de comprar um ramo de flores de forma a poder conjugar isso com outros gastos (quase de igual importancia, segundo parecia):
- Quanto pode custar um ramo de flores?
(olhar constante, interrogativo e pausa...)

-Depende...
- Pah... um ramo simples, com um par de flores mal postas, baratito...

- De quanto dinheiro falamos??-
- ... hum... Digamos ai, 10 €...
(20 segundos depois...)

- ... Sim, isso dá-te para comprar um ramo. Mas um ramo para demonstrar reconhecimento, não um ramo para a impressionar.

A conversa segue por ai fora entre detalhes mais cómicos... Mas o pausado do moçoilo não deixa de continuar com suas saídas inesperadas...
O mais lançado dos dois falava de uma moça que havia conhecido. Descrevia-se surpreso com a forma escandalosa como ela tinha saido vestida numa noite...

- pah... Surpreendeu-me... pensava que ela era mais...
- Mais quê? Mais BeTA?-
- Não! tipo, mais tipo tu e eu...
(segundos depois...)

- Desculpa... Mas eu vou confortável...
- Isso, isso... Pensei que ela fosse mais assim...Mas no fim de estar com ela era uma convencida!
- hum....
- Presumia de tudo, e da forma como ia realmente o que queria era chamar a atenção!

(minuto e meio de silencio...)
-... Já se intuia... "diz-me do que presumes e dir-te-ei do que necessitas"...

Enfim, que um miudo de menos de 20 anos tenha este tipo de respostas transtornou o meu dia e cá vim eu repor a ordem:o)!


08 maio 2011

Goethe...

Treat a man as he appears to be, and you make him worse. But treat a man as if he were what he potentially could be, and you make him what he should be.

06 abril 2011

"Mas dizei uma só palavra e serei salvo"

É daquelas frases mesmo religiosas, que em nenhum momento repetimos sem a ideia associada ou fundamentada num princípio cristão... Sente-se quase a heresia de não se pronunciar tal frase se a isso não se quer fazer alusão.

Mas num dia como hoje foi aquilo que se me ocorreu.

Há historias que ficam para que depois nos lembremos e não mais do que isso. Não progressam mas ficam guardadas para um qualquer momento posterior. Reservam sempre um certo carinho, quiçá, que muito não aporta mas aquecem o coração.

Depois há as que ficaram eternamente em stand by. E é dessas que me lembro hoje.
Estas congelam qualquer lembrança, repelem qualquer sentimento e mesmo a lição que se lhe poderia arrancar fica enjaulada e pode apenas antever-se. Geram uma certa e costumada indiferença gélida.

A frase vem a respeito do fácil que às vezes poderia ser fazer acontecer as coisas, tirar esse estado, e o difícil que pode ser tomar essa decisão. Parece demais. E suponho que assim seja. Eu mesma o deveria saber dizer...

Mas..." é preciso ser, de vez em quando, infeliz
Para se poder ser natural." .

Terceira menção ao meu Alberto:o) nunca são as suficientes, de todas as maneiras.

E assim mais um dia como hoje e a única vontade era simplesmente não saber que significado isto tem... Mas se assim é haverá que lembrar novamente :

"E que o poente é belo e é bela a noite que fica...
Assim é e assim seja ..." (Alberto Caeiro)
Have a nice day, anyway.


27 março 2011

Today...:o)

From Bruno Mars- The Lazy Song!



Today I don't feel like doing anything
I just wanna lay in my bed
Don't feel like picking up my phone, so leave a message at the tone
'Cause today I swear I'm not doing anything

I'm gonna kick my feet up then stare at the fan
Turn the TV on, throw my hand in my pants
Nobody's gon' tell me I can't

I'll be lounging on the couch just chilling in my Snuggie
Click to MTV so they can teach me how to dougie
'Cause in my castle I'm the freaking man

Oh yes, I said it, I said it
I said it 'cause I can

Today I don't feel like doing anything
I just wanna lay in my bed
Don't feel like picking up my phone, so leave a message at the tone
'Cause today I swear I'm not doing anything
Nothing at all, nothing at all

Tomorrow I'll wake up, do some P90X
Find a really nice girl, have some really nice sex
And she's gonna scream out
This is great
(Oh my god, this is great)

Yeah, I might mess around
And get my college degree
I bet my old man will be so proud of me
But sorry pops, you'll just have to wait

Oh yes, I said it, I said it
I said it 'cause I can

Today I don't feel like doing anything
I just wanna lay in my bed
Don't feel like picking up my phone, so leave a message at the tone
'Cause today I swear I'm not doing anything

No, I ain't gonna comb my hair
'Cause I ain't going anywhere
No, no, no, no, no, no, no, no, no

I'll just strut in my birthday suit
And let everything hang loose
Yeah, yeah, yeah, yeah, yeah
Yeah, yeah, yeah, yeah, yeah, yeah

Oh, today I don't feel like doing anything
I just wanna lay in my bed
Don't feel like picking up my phone, so leave a message at the tone
'Cause today I swear I'm not doing anything

Nothing at all
Nothing at all
Nothing at all

26 março 2011

Atitude de ser e estar

Muitos foram os que teatralizaram o famoso "Ser ou não ser, eis a questão...". Tão ou mais profundo do que transporta-lo através do teatro pode simplesmente ser senti-lo na pele e vivê-lo constantemente como a opção variável de vida.

E como sempre as variações nunca aportam o mesmo.
Hoje simplesmente aportaram vontades e quereres profundos de saber saltar por cima das adversidades.

Fazer cara à vida e enfrentá-la tal como o touro: pelos cornos.

No entanto lembrar-me vir aqui contar isto pode ser uma amostra de contradição e por isso não vou prosseguir. Hoje o meu dia decorre noutra janela do computador.

Just taking my chance...



19 março 2011

This night

There are things I have done
There's a place I have gone
There's a beast and I let it run
Now it's running my way

There are things I regret
Cause you can't forgive
You can't forget
There's a gift that you send
You sent it my way

[Chorus:]
So take this night

Wrap it around me like a sheet
I know I'm not forgiven
But I need a place to sleep
So take this night
And lay me down on the street
I know I'm not forgiven
But I hope that I'll be
given some peace

There's a game that I play
There are rules I had to break
There's mistakes that I've made
But I've made them my way

Chorus

Some peace
Some peace

Black Lab: "This night"


16 março 2011

Como se...

Como se ...

Se precisasse de pousar, em algum lugar esta minha cabeça
Soubesse que o teu ombro está não só ai para mim,
mas ainda que ele precisa disso como precisa de estar em ti.

Como se...

Mesmo que nesse pousar de cabeça...
Precisasse contar-te todas as coisas más que fiz,
Todas as maldades que pensei,
As que nem pensei tanto e então deixei acontecer...
O pudesse fazer.

Até de olhos fechados.
Sentiria a tua reacção tão exacta como a que imaginara.

Como se...

Apesar de contar-te tudo,
Até à ultima miséria de mim,
Até à ultima vergonha que me embrulha o carácter,
Até todo o silêncio que carrego,
Soubesse fazê-lo segura de que o entendes,
Que nesses mesmos pontos onde me falho eu
Estás tu.

E no entanto

Nem deixei cair a minha cabeça,
E mesmo se te olhar no fundo dos olhos vejo que a tua alma não conforma nenhum ombro para mim.

Mas nem é o teu ombro que desejo,
Nem o teu conforto,
Nem o coincidirmos tão perfeitamente.
De tudo o que procures em mim será difícil saber...

De tudo, o mais impossível não é nem sequer que existas,
É eu saber contar-te a verdade de mim...



19 fevereiro 2011

Julgado.

Não conto já os dias,
Não conto nem meses nem episódios.
Calo-me e nem sequer penso
Nos dias e meses em que se celebrariam
os aniversários dos tais episódios.

É triste mas não o faço já.
Que o ouças e que sejas consciente de que não o tenho por costume.
Que não o faço! Por não querer!
Por recusar-me e por não te querer a pairar por ai.

Utilizo-te, quiçá, isso sim
Como uma eterna desculpa.
Como justificação
para quando a minha alma se desalma.

És culpado e responsável de tudo!

E uma vez eu refeita por haver-te feito réu,
julgado e declarado culpado,
Depois de feita minha justiça contigo,
Sem que o saibas,
É então que sou consciente
que não foste nunca esquecido.

E que por muito que saiba que não celebro,
que nem conto já os dias, nem meses de episódios,
Sou deles muito mais prisioneira do que tu de minhas sentenças.

Sou consciente que o faço com esforço.
Que por mim
Nem réus, nem culpados,
Nem desculpas, nem justiça...

E que, injustamente,
Foste tu quem me aprisionou.

11 fevereiro 2011

Em segredo

Sem determinação prévia,
há musicas que se disseminam pelo ar, que me contaminam por dentro
e que finalmente me devolvem a ti.

Dei-me conta finalmente que por muito domesticados que estejam todos os monstros sobre nós, deixaste melhores prémios e assim recuso-me a enfrentar.
Sou então contaminada e simultaneamente depuro todo o trabalho que construí.
Restando-me o eco, por fim...Poluído.

São tropeços, eu sei.

Os soluçares que dai advêm já não soam cá para fora,
é a trabalhada habilidade de saber-se desolar e retomar.

Tomei-te por costume desta forma.

Criei-te para mim um tu que só eu sei.
Que não és já tu.

E não te amo mais por seres uma criação da imaginação delirante,
Tão minha que sou eu reflectida,
pelo menos não sinto amar-te mais do que havia já alguma vez feito.

Nem mesmo se esse perfeito que foras real
faria por isso mais sentido,
querer-te diferente do que o já querido.

Este era todo o meu infinito.



27 dezembro 2010

... Decisões por decidir...

É realmente complicado decidir.

E seria esta mais uma eterna frase, que todos repetimos nalgum momento, a jeito de lugar-comum, não fosse ter tido para mim um significado diferente e creio eu, mais profundo no ultimo ano/nos últimos dois anos.

Não que a vida não me tivesse já posto diante de decisões, hoje inteira e orgulhosamente minhas. Já as tive que tomar ou não estaria onde estou ou não seria o que sou.
Sou consciente que esta feita não será a última e ressoam-me atrás das orelhas as tão ouvidas frases dos avós «Nem será a última e virão mais difíceis...», por isso não me inicio no post com ideias de reflectir uma fase especialmente diferente.

Relendo entre os meus papéis, encontrei coisas engraçadas sobre a minha ida para Espanha, as opiniões que me dividiam, os ideais que me moviam e todas as outras coisas que, por mais que se leia desde fora, não se pode entender tão complexamente como se vivia cá dentro.

Eram outros dias, eram outras decisões e principalmente era outra de mim.

Hoje a coisa não deixa de ser complexa, mas vem pelo lado engraçado das diferentes visões...

Tomei consciência, principalmente ao comparar essa de mim com a que fui sendo nesses interregnos onde não escrevi publicamente, que tenho um modo de enfrentar as decisões muito estranho. E digo estranho quase com vontade de dizer cobarde ou "esquivante" (se é que tal termo existe, coisa que, pelo risquinho vermelho que lhe nasce por baixo me faz suspeitar que não... Mas adiante...) Deixo-me ir com o vento.

Não, não digo isto com auto-comiseração nem com nenhuma pena... Não considero que seja para sempre assim, mas é bom observar estas coisas para ponderar possíveis melhoramentos futuros;o), farei o "upgrade" assim que for possível, estejam tranquilos;o)!

Digo isto porque dei por mim a ser extremamente lenta. É esperar que seja a vida que me diga o que hei-de fazer.
Depois de conseguido analiso e admiro quão perfeito foi, dedico-me para que isso continue em pleno e próspero crescimento.

Depois decaio em pensamentos vãos, da percepção de que tudo isto é bênção divina, submeto todo o meu ser ao tema e termino concluindo que era o destino e... "graças a Deus!"...

Segundo alguns, estou acostumada a que quando chega o momento chave há uma resolução fantástica à minha espera, ao estilo do que aconteceu com os sapatos no baptizado do meu sobrinho (Não tinha nenhuns comprados até àquele dia- por esquecimento, indecisão, etc- e a sorte foi a minha mãe ter uma imensa caixa de sapatos de cerimónia-cuja existência eu desconhecia-, que não deveria ter nada do meu tamanho por ser a patorras da família, onde, por sorte ou milagre, lá tinha uns mesmo condizentes com a roupagem que, essa sim, depois de algum esforço, tinha podido decidir no dia anterior.).

Agora, desde há coisa de dois anos aumenta, naturalmente, a pressão interna sobre o que hei de fazer da vida depois do curso.
Sei que as massas são uma força que me costuma arrastar e eu, também com uma certa naturalidade, encostei-me a uma opção onde me sinto cómoda, feliz e contemplada... Só que resta sempre aquela insegurança de quem ainda tem tempo de mudar o que quer que seja e rumar para outras paragens ainda...

Comparando com as pessoas que tenho mais perto e melhor conhecidas, apercebo-me em primeiro lugar que há, para cada um, uma forma de resolver as coisas. Sejam elas complicadas ou fáceis. É muito pessoal e as comparações são difíceis. Não é tema de fácil conclusão, portanto.

O ponto é que uma delas em especial é uma observadora compulsiva, crítica por natureza e adora debater as grandes decisões de vida com todo aquele que faça parte proeminente dela, de modo que ao envolver-me no seu projecto de vida, ao debater-se e questionar o seu próprio caminho, acaba por me deixar a mim a fazer-me perguntas, sentar-me a reflectir:o).

O seu próprio modus operandi sobre as decisões deste calibre é bem mais ortodoxo que o meu:

MIL ANOS antes, ela sente uma inesgotável vontade de explorar as imensas possibilidades que o mundo e o seu meio lhe possam oferecer; cria mapas mentais de como chegar a cada um deles e só após estes ditos mil anos de exploração, debates críticos, construtivos e pertinentes é que, então decide.

O certo é que todos os imprevistos que a mim me assaltam e deitam por terra tudo o construído, para ela são previsões claras que também já ponderou ou então são facilmente reencaminhados para uma das vertentes analisadas previamente.

Raras e digo raras por não dizer "acho que só foi uma ou duas" foram as situações que fugissem totalmente ao seu pensamento de forma irreversível e que a obrigassem a render-se ao sabor do "bento";o)!

Outro dos exemplos que sigo carinhosamente é uma pessoa que durante algum tempo comenta as várias possibilidades, estuda-as (e isso fá-lo de forma totalmente isolada, independente, de um modo que não poderia eu descrever por não conhecer). Comenta criticamente, de forma isenta, sem demasiados detalhes, ainda que, se a conhecermos, se pressente a preferência. Escolhe para si, depois, um período (costuma ser bastante longo- alguns meses, digamos) no qual prefere não falar no assunto e, a partir desse instante, a sua vida desenrola-se como se nada houvesse a dizer ou como se estivesse já longe de seu critério.

Resultou já eu assistir que, consciente de que combatia a sua íntima preferência, levou uma reviravolta que a deixou onde está hoje: com o que sempre quis, mais o que a levou a combater o seu fado, mais o que eventualmente possa ajudá-la na evolução da sua área! Digamos a grosso modo, a 3 vezes mais aquilo que queria ser:o).

Com ela e entre longas conversas, tirámos várias conclusões: uma delas é que a liberdade pode ser um verdadeiro estorvo e que, o melhor método é mesmo o de lançar bem alto uma moeda com duas opções. Ficar com ela na palma, escondida e antes mesmo de levantar a mão repensar o que foi que instintivamente desejámos que ficasse para cima, no momento do lançamento.

O tema é que, convivendo com semelhantes exemplares, aprendi o que não está escrito, mas nunca fui capaz de querer ver tão bem ao longe o futuro como elas, e nem mesmo sou capaz de lidar com tudo sozinha. Desta vez espero que seja diferente, para melhorar a técnica.

O que reservo internamente é este desejo irresistível de deixar para ver o que acontece, e cria-se aqui uma inércia que até a mim me parece excessiva. Mas não me lembro de me desiludir por nenhuma outra possibilidade depois de tomada a decisão.

Imagino que talvez haja para lá alguma clausula no contrato que diz :

" -Não deve, então, a partir deste momento, sentir-se desalentada/ decepcionada/ triste/ inconforme nem nada-que-se-assemelhe ao já dito por ter tomado esta decisão. Ficando por condição penalizante que se tal coisa acontecer há-de mover todos os mundos e fundos para melhorar, até à felicidade completa, toda a situação.". E eu, consciente, assino.

Sim, é certo, ele há erros. Erros cometidos, erros ainda por cometer, mas tomo-os, se por decisão foram tidos, como aprendizagens, e a minha frustração reside/rá em vê-los repetidos.

O que entretanto me trouxe por aqui, e já vai longe seu inicio, foi mais a facilidade que outros têm para tomar estas dicotomias vitais.

Entre uma conversa parca em palavras com um dos "alguéns" mais tímidos que conheço, houve uma verdade que lhe veio do mais profundo do seu ser.

Conhecendo-me como conhece, sabe de todas estas trapalhadas internas, de que ainda que deixe tudo para ser decidido pela vida, sofro por isso de insegurança e certa ansiedade até ao último instante. Sinto sempre que o destino me vai apanhar nalguma das coisas que nem sequer pensei, que restará a tal pena de não ter pensado nisso, de não ter visto o que estava diante dos meus olhos... Sabe que o ir com "alguma coisa em mente" não é o mesmo que ter noção clara das preferências.

Entre perguntas profundas em jeito de simples, ouviu-me em silencio, falar de todas as opções. Fez uma pausa muito sua, baixou a cabeça reflectindo profundamente no meu dilema, respirou lentamente fundo e mantendo a sempre sua cara compenetrada disse:

" - Precisas de apanhar uma bebedeira a sério, miúda. Eu fico lá para me lembrar do que digas!"

:o)! Eu sorri e agradeci o conselho...

Em resumo, e vistas as coisas ao longe, eu sei que tem uma certa razão. Não costumo e não queria ganhar tal costume, mas a continuar assim quem sabe?:oP!!

De todos os modos, estas neuróticas escrituras acabam por me deixar patente que, talvez mais do que não ter noção do que quero, outra coisa bem diferente é não o querer assumir. Para tal, não deixo nem que o subconsciente me diga nada ao consciente e mantenho para um canto de mim uma decisão há muito tomada que nem mesmo eu sei dizer qual é...



12 novembro 2010

O senhor do Adeus?

A grande notícia de hoje é ter-me sentido surpreendida pela notícia do jornal.
Refiro-me no sentido em que ser-se surpreendido pelas notícias, hoje em dia, significa que houve alguma catástrofe, morreu alguém inesperadamente ou que o governo acabou por descubrir um erro de trocos daqueles que andou meses e meses a fazer, coisinhas que são tão repetidas que não surpreendem já... No fundo cria-se uma certa resistência a essas notícias. Mas hoje sim.

Era algo sobre um senhor que dizia adeus, por isso chamado "senhor do Adeus" que, segundo li depois, se auto-proclamava antes o "senhor do olá". Tinha morrido.

Em primeira instância não foi a surpresa que me atacou. Pensei que ao estar fora há tanto tempo já não sabia das coisas e certamente este seria um senhor importante que eu não havia conhecido jamais em tempo algum de sua existência. Não estava eu tão longe da verdade, isso sim, não da forma que julgava.

Resumidamente Lisboa tinha-me remexido por dentro com a morte de um senhor que dizia simplesmente "adeus" aos carros a altas horas da noite.
Não sei se ao dizê-lo tão assim em linhas simples ofendo o que o senhor fazia, essa não é a intenção. Por muito que diga "simplesmente" escrevo hoje porque não quero subtrair importância ao que fazia. Foi o seu gesto e a sua morte que se gerou uma reflexão manifesta (deixo-me acreditar...) por um grupo de pessoas que, cientes da sua morte e do que havia feito em vida, foram para o seu sítio e também eles disseram adeus a todos os que passaram.


O que me tocou bem no mais fundo de mim foi o facto de estarmos a falar de um velhote solitário que dava a quem ali passava, um gesto. Um olhar e um adeus.
Na notícia havia gente que referia que já era um hábito esperado, uma peculiaridade dentro da grande Lisboa. As suas vidas seguiam exactamente iguais no fundo e nunca ninguém parou para falar com ele, mas sentiam a perda.

Foi post-mortem que as pessoas viram algum efeito e se animaram a homenagea-lo. Talvez menos conscientes do que podiam ter-lhe dado enquanto vivo em troca, do que reflexivos sobre o que é que tudo isto nos pode estar a dizer sobre nós mesmos.

Da minha parte entendi que, principalmente nas grandes cidades, onde se supõe que a mentalidade é mais aberta, que aceitamos as coisas dos demais («porque há gente estranha.» insistimos em pensar), que podemos dedicar-nos a concretizar os nossos sonhos (podemos procurar mais recursos e oportunidades- ou por outra podemos escravizarnos a isso.), deixamos de ser conscientes dos outros e passamos a viver tão sobre nós que estes gestos de fora passam a ser actos de loucura que acatamos com uma certa condescendência, até que, por repetição, fazem parte do dia...
É quando faltam que de repente nos dá a saudade, à boa maneira portuguesa neste caso e nos juntamos ali para dizer "adeus", como ele fazia.

Se há lição que creio ter-me dado este senhor é que temos o mesmo poder para olhar quem nos rodeia, sorrir, ver, acenar :o), deixar um sorriso sem quê nem porquê aqui e agora não tira o sentido dos demais sorrisos que enviamos a quem nos merece tais gestos...

Com pequenos gestos podemos mandar mensagens positivas, sem deixar os nossos próprios propósitos, mas por uma vez não sendo escravos de nós ou dos nossos sonhos. Por uma vez deixar de julgar mal ao do lado, cruzar-nos com ele e sorrir-lhe («Que tenha um bom dia») e só depois voltar àquele pensamento que nos apoquenta, já com um sorriso enviado;o).

Eu hoje, deixo um "olá", a estas horas acompanhado internamente de um «Que tenha um bom dia.»:o) somente em homenagem ao "senhor do olá".


21 outubro 2010

Bocados de mim- Anaquim

Eu gostava de ser dessas pessoas positivas que andam pela vida cheias de planos para amanhã
Que dizem frases feitas mas têm suas próprias manias
Que os outras gostam delas porque elas são mesmo assim.

Eu gostava que no fundo o mundo fosse simples.

Que o dia fosse um barco e a noite fosse um cais.
Se tudo fosse sim ou não para mim era mais fácil
E eu não tinha que magoar as pessoas que gosto mais.

Eu gostava de ser mais ajuda para a família.
De aprender a fazer bolos em casa da minha avó,
Porque ela me quer lá e até faz alguns petiscos com a minha mãe a ajudar para que ela não se sinta só.

Eu gostava de me lembrar mais de algumas coisas que a vida foi levando em tratamento de choque:
De me recordar de cheiros, de barulhos e dos discos com que a minha irmã me ensinou a ser alguém do rock


mas ando pela vida feito placa de auto estrada que ensina o caminho aos outros mas pouco sabe de si.
Mas ando pela vida por ver andar meus amigos
E confesso que por vê-los nem me custa andar ai

Eu gostava de ser qualquer coisa mais peculiar
O blog da Filipa e os textos que lá diz
Um assunto que tivesse algum efeito nas pessoas
Como os poemas da Ines ou as anedotas do Luis

Eu gostava de me dedicar aos trocadilhos
Que me fazem perder tempo e não fazem rir ninguém
Que há coisas que não são para rir
São só para ter pinta
Já dizia o meu pai e eu só agora entendi bem

Mas ando pela vida cinzentão e esbatido
Sem ter a coragem de convidar gente para dançar
Mas ando pela vida sem ter a lata do Hugo
Que é capaz de fazer tudo para a malta se animar

Eu gostava de saber explicar bem o que sinto
Não mentir como minto quando digo que estou bem
Porque todos temos dores e para cheirar as flores
Desbravamos os caminhos com a ajuda de quem vem

Eu gostava de ser qualquer coisa mais bonita
Fosse o sorriso da Rita fosse o carinho da Rute
Lutar cegamente por aquilo que se acredita
Porque há lutas que se perdem mas precisam que alguém lute

Mas ando pela vida às vezes sem ser sincero
Lá me vai pesando quando é hora de deitar
Finjo ser a pessoa que eu quero que os outros gostem
E acabo a não ser nada que valha a pena gostar

São só bocados de mim
São só bocados de nós
São só bocados que eu enfim deixei ir na minha voz

Foi um "autor desconhecido" que disse. Referiu e frisou que os passados não o faziam sonhar e eu sinto-me sonhar se podesse dizer tal coisa.



Há quem sonhe com coisas que aconteceram, e explicam porquê.
Eu sonho com coisas que nunca acontecerão e pergunto:
porque não?"


Por agora ainda me limito a dizer que faço ambas coisas e as perguntas que me restam sobrepõem-se a qualquer tentativa de resposta que possa fazer depois disso.


25 setembro 2010

Serendipity?

Existe?............................................................................................................................. Não existe?


Se não, então como é que se explicaria a existência de Psicofármacos?!;o)



"sê teu filho"


Nunca a alheia vontade, inda que grata,
Cumpras por própria. Manda no que fazes,
Nem de ti mesmo servo.
Niguém te dá quem és. Nada te mude.
Teu íntimo destino involuntário
Cumpre alto. Sê teu filho.






Num contexto de dias e dias de pensamentos confusos, compartidos, onde as conclusões se resumem a uma certa e mui amada raiva ao tamanhão da liberdade que construi para mim ("puta libertad"), mais o peso do valor de ser-se uma única pessoa para toda a vida :o) (ainda que não necessariamente sempre a mesma).

Sinto como se me acompanhassem estes princípios, "Nandinho" , inculcados como a mesma pele que me reveste! Não sei porquê e pior ainda, "para quê era mesmo?!"... Entretanto esqueci-me de qualquer coisa aqui;o)!!


Mas contraditóriamente "Nem de ti mesmo servo." !!!!
(silenciosamente encolho meus hombros...)

Esquinas de coisas para manter-me eternamente em equilibrio instável!
:o) Vida.... ( "ai se eles soubessem como é viver assim... ;o)!!! :o)))"

16 setembro 2010

a vida dos outros

As Vidas Dos Outros - Anaquim

Artista: Anaquim
Música: As Vidas Dos Outros

Eu sou tão bom a falar das vidas dos outros
Há sempre um conselho a dar p'rás vidas dos outros
Nada é eterno e se aguentarmos todo o mal tem fim
É fácil ter calma quando a alma não me dói a mim
Eu sou tão bom a tornar todo o mal inerte
Se é aos outros que lhes custa que o passado aperte
Mas quando a inquietude vem toda para o meu lado
Deita-se, desnuda e não desgruda até me ter vergado

É tão simples quando estou de fora
A ver passar as nuvens pelo ar
Aplaudir, rever-me e concluir
Que eu também já lá estive e...
Já soube ultrapassar
Só a mim é que ninguém me entende
E a minha dor não tem como acabar
Ai quão melhor era acordar um dia
E ter as vidas dos outros todas em meu lugar

As vidas dos outros nunca me soam mal
Veêm problemas no que é no fundo normal
Ai se eles soubessem como é viver assim
As vidas dos outros são tão simples para mim

Eu sou tão bom a falar das vidas dos outros
Sempre me sei comportar nas vidas dos outros
Volta, revolta, o melhor está para vir
Solta tudo agora, não demora, tornas a sorrir
Eu são tou bom a apagar qualquer mau momento
Se é aos outros que lhes bate à porta o sofrimento
Mexe, remexe, alguma coisa hás-de encontrar
A solução é procurar

Eu sou tão bom a falar
Eu sou tão bom a cantar
Eu sou tão bom a contar as vidas dos outros
Eu sou tão bom a falar
Eu sou tão bom a curar
Tudo menos o meu próprio mal

As vidas dos outros nunca me soam mal
Veêm problemas no que é no fundo normal
Ai se eles soubessem como é viver assim
As vidas dos outros são tão simples para mim