27 agosto 2009

Súplica


Agora que o silêncio é um mar sem ondas,
E que nele posso navegar sem rumo,
Não respondas
Às urgentes perguntas
Que te fiz.
Deixa-me ser feliz
Assim,
Já tão longe de ti como de mim.

Perde-se a vida a desejá-la tanto.
Só soubemos sofrer, enquanto
O nosso amor
Durou.
Mas o tempo passou,
Há calmaria...
Não perturbes a paz que me foi dada.
Ouvir de novo a tua voz seria
Matar a sede com água salgada.

22 março 2009

O meu querido Alberto Caeiro

Se eu pudesse trincar a terra toda
E sentir-lhe um paladar,
E se a terra fosse uma cousa para trincar
Seria mais feliz um momento...
Mas eu nem sempre quero ser feliz.
É preciso ser de vez em quando infeliz
Para se poder ser natural...
Nem tudo é dias de sol,
E a chuva, quando falta muito, pede-se,
Por isso tomo a infelicidade com a felicidade
Naturalmente, como quem não estranha
Que haja montanhas e planícies
E que haja rochedos e erva...

O que é preciso é ser-se natural e calmo
Na felicidade ou na infelicidade,
Sentir como quem olha,
pensar como quem anda,
E quando se vai morrer, lembrar-se de que o dia morre,
E que o poente é belo e é bela a noite que fica...
Assim é e assim seja...

12 abril 2008

Definição em sentimento

A voz vai ganhando som
nestes dias de silencio.
Ganha agora registo e memória.
Tão assim
Também eu me vou escutando
e tomando as medidas da consciencia
que agora se desenha,
assemelhando-se
à personalidade até aqui translucida
de mim,
no meu próprio olhar.

22 outubro 2007

Em construção de vazios

Como se o silêncio fosse tão difícil de construir como, para alguns, o é dizer aquilo que ecoa vezes sem conta por dentro.
Calar-me, olhar-me apenas, sentir por dentro tudo aquilo que antes já estava cá fora antes que fosse sequer consciente do que pensara e codifica-lo, mas desta só para mim. Fazer várias e opostas conjunções de mim e do que aqui sou... Deixar que elas por elas se discutam aqui dentro e cala-las, como se só dentro tivessem sentido, porque cá fora mais não são do que meras histórias.


Depois de tudo, ensinaste-me que é assim que amadurecemos idéias, parece lógico, mas até que o sintas tão profundo como é, nunca lhe chegas a dar a devida razão...

Sabendo-o, parece ainda mais estupido que não continue, mas isso de escolher o momento e a pessoa certa para o contar também tem que ser carinhosa e sensivelmente detectado...
Lição da próxima vida...
Da próxima história...
Do próximo pensamento guardado e amadurecido...


Chegada é a conclusão que, sem pensar, há apenas construção de vazios, em mim e em ti que me ouves... Se não amadureceu - caiu verde, não o poderás recolocar no galho.

11 junho 2007

Ganhar a batalha

Se assim tão meramente por pedir,
delicadamente,
ao céu,
toda a gota
do mar,
do oceano,
da pocinha, deste rio,
se pode,
toda ela
destilar e subir de novo às nuvens,
de regresso à forma pura de água,

Porque teremos eternamente nós
humanos
as mãos sujas,
que jamais voltarão à inocencia que foram
no perfeitas que eram
pelos seus altivos erros,
sucessivas perdas,
de perdidas raivas,
de enganos,
das suas irremediáveis perdições?

Quiseras que as lágrimás fizessem
toda a pura destilação
interna tua.
Que os suspiros te limpassem
os pulmões e
te revissem a alma,
Te lavassem
e te levassem de novo,
ao inicio da tua própria chuva.










Sim,hoje foi aquele dia que tinha planeado esquecer, sobre o qual as teorias já se rearranjaram mais de muitos anos seguidos, me rearranjo eu, tentamos que tudo se perda ou ganhe de uma vez, sem que se volte ao principio. Mas menti-me continua sem ser o que me ajuda, logo neste dia cá estou no mesmo ponto de partida, avançada na teoria e em prácticamente nada avançada nesta realidade que te persegue em mim....
Hoje mais uma vez ganhei uma batalha e perdi ainda a guerra...

25 abril 2007

Sentir e não mais...

Os sentidos toldaram, disseram-me, clara e inequivocamente que sentir agora, já é de mais... Nem bem nem mau.
-"Chega!!" - ouvi eu como se se tratasse de um eco que havia penetrado a cabeça já aturdida.
E sim, era realmente um pedido completamente desesperado de algum neurónio mais sonoro pelas trajédias e felicidades quotidianas, cansado de transmitir coisas ao sistema Limbico... Não podia já mais com aquele Neurotransmissor, estava esgotado...

Não entedi á primeira... O som precisou de propagar-se uma série de vezes para que no fim, a informação passasse á área secundária correspondente (fosse ela lá na circunvolução que lhe parecesse melhor!), chegou, e finalmente fui capaz de entender que o cansaço nos corrói.

Senti, ai já num derradeiro suspiro de todas as estruturas metidas ao barulho) que há situações incontroláveis, sentimentos que por muito que os tentes entender, não dá. Mais vale, sem dúvida, e agora já sem qualquer poder de confirmação (aquilo era mesmo o último suspiro do sistema), sentar-se á beira rio, ouvir os peixes saltar inadvertidamente em vários pontos, sentir o sol na cara, e aprender (talvez mais tarde porque agora está tudo em coma) que a vida é APENAS saber lidar com TUDO... Coisa que jamais vais conseguir, (sim, as sinapses são infinitas, mas não as podes manter indefinidamente) e portanto," OLHA: vais ter problemas, acostuma-te ao desastre que foi o ser que construiu tudo isto, numa bela maquete de arquitecto, e que se esqueceu de nos fomentar o acessoramento correspondente...".
Ver a realidade tal como o próprio ALberto Caeiro fazia. Assim e mais nada. Não dizer que o peixe salta porque está feliz: isso não sabemos (se nem para nós próprio a felicidade é um conceito definido), só sabemos que salta e porque o VEMOS, ou o OUVIMOS lá a chapinhar...
Deixa-o saltar como se isso não tivesse, simplesmente, que ter algum que outro sentido subjacente... Ele saltou e nunca pediu que tal coisa fosse interpretada.
Não inventes sentimentos onde eles nunca estiveram, nem valorizes as situações pelo que elas poderão vir a ser... Sente e sê...


Suspira-se depois, como milhões de outras vezes já se fez, olha-se o rio lá de onde ele vêm, e de repente...

Tudo volta a ter sentido.

13 janeiro 2007

Lá fora...

Lá fora,
onde nasces cada dia
quando se calhar a única vontade seria a de morrer por dentro.

Se calhar porque esse é o ser em si:
uma morte prolongada a que chama de vida para que tenha um sentido ou para que, num outro mundo de visões, seja apenas um contra-mão de peças desconexas que vai colando numa de forrar um chão onde mover-se, como se tal fosse preciso...

Lá fora, para onde olhas e não vês,
pensando que o fazes,
mas onde apenas realidades
obliquas e perdidas,
te passam despercebidas
E onde a tua imaginação
mancha tudo do algo que te convence dessa irrealidade que não é...


Sim,
Lá fora,
onde não estás.


Ou cá dentro
onde não sou....

Ou onde me perdi.

30 dezembro 2006

Não é por ser fim de ano...

Pois é, passeios não é o temos feito por aqui...

Teria de ter uma justificação para cá voltar, depois de tantos meses em que por último ficou um poema triste, mas Não a há, na realidade... Como nunca houve justificação clara para que o mundo existisse e tal como ele, nós ou a inteligência que pensamos ter...

Nada a fazer...

Tal como esse exemplo, o certo é que mal ou bem por cá continuamos todos, todos estes dias seguidinhos, com o mundo a girar sobre si mesmo sem parar, e uma dita gravidade que aqui nos prega ao chão... Assim também eu aqui continuo a escrever para bem ou mal de quem cá passe...:o)

E não, se há coisa que possa dizer, é que não é por ser fim de ano...

Não, porque no fundo é ridículo andar por estas datas a desejar coisas boas, desejar a mudança se tudo o que o homem de hoje quer é ficar no mesmíssimo sítio de onde saiu.
Ver os dias sucederem-se como se fossem sempre para passar à lareira e com o gato enrolado no colo...

Ao menos há gente assim. Que não vê que continua a haver coisas por descobrir, que o mundo se pode multiplicar, como nós e os nossos conhecimentos. Mas não. Continuam a haver miudos no 12º ano, que o único que querem é fazer um curso, seja lá ele qual for, mas que satisfaça a condição de os deixar perto ou mesmo em casa com os pais e irmãos... Tão liiiinnnddddoooo

e tão cobarde!!!!!
Acorde-se para o mundo, por favor!!!!!

A vida é tão grande, há tanto tempo. Calma, e um dia de cada vez, mas sem perder tempo...
Sim, custa muito:
implica que dormamos as horas certinhas e não mais que isso,
implica que não se pare quieto,
implica que os dias de descanso sejam poucos...

Mas recompensa no fim, quando se olhe para trás e se veja todo um conjunto de conhecimentos, de pessoas diferentes e novas visões do mundo.Ver-se-á que os anos passaram sim, mas cada um deles foi bem aproveitado, que no fim de cada, houve um propósito alcançado, que tivemos garras para ultrapassar aqueles menos bons, que agarramos pelos cabelos e de unhas e dentes T
TTTTOOOOODDDDAAAAASSSSS as oportunidades que nos tocaram!!! Que até nos calharam mais porque fomos corajosos, como se de um videojogo qualquer se tratasse e houvesse bónus para os que se atravem a fazer cumprir todos e cada um dos sonhos que tem!!!

E, para culminar, se possa chegar a velho, mesmo velhinho, com uma história de vida que seja interessante contar aos netos. Que nos encha de orgulho em cada história contada, que os ensine tudo o que descobrimos e os empurre para novos horizontes.

Se calhar, quem sabe, realmente se vê até que fomos úteis, que somos, inteiramente, nós!

E eis os meu votos para todos vós...

Boa Sorte***

17 outubro 2006

Emudece-me...

Arrastou-me...
Este roçar dela sobre mim.
Sinto-me pingar no chão como as outras
Sinto o que não devia sentir.

Por isso
Em favor:
Insensibiliza-me.

Ensurdece-me.
Para que em silêncio
Não a ouça escorrer.

Emudece-me.
Este roçar dela sobre mim.

Ouço-a pingar no chão como as outras
Como se só juntas tivessem sentido.

Cega-me.
Para que a não veja pingar
Nesse chão,
Sim,
Como as outras.
Para que não morra em cada uma delas.

Em não mais sofrer
Por ve-las juntas.
E tornar a sentir
O sofrimento.
Não voltar a ouvir-me
Cá dentro.

Em derradeiras,
as de lágrimas
Fileiras,
Que por toda a cara minha
Ou, mais profundas ainda,
Na alma minha
Se derramam...

08 outubro 2006

Preciosidades Banais...


Preciosidade Banal ...

...de respirar e já não sentir o ar escorrer limpando os canais que atravessa como se eles fossem rodeados de paisagens e não estivessem, no entanto, preparados a chegar a pulmões envolvendo um coração que já nao ocupa o seu lugar, ou que deixou de o preencher por ficar mais pequeno...
...de estar deitado e ver um céu assim de limpo, em branco, que não marca as células que o recebem, porcessam, que o entendem nessa brancura que nem comparada é com a mesma brancura de outros olhos que alguma vez, delicadamente, pararam nesta brancura dos meus e não fizeram mais que silenciar-se, sossegar-se e apreender o momento como se correspondesse ao último de qualquer dia sem um amanhecer seguinte.
... de não existir mais controvérsias em temas que não se sabe resolver. Resolve-los só por os deixar em paz, sentir paz por deixa-los seguir até Finisterra...
... de deixar os dias passarem em mim mais uma camada de estórias, de rir ou de chorar, de nos prender, ou de nos libertar...Dias, dias, dias...

Preciosidade Banal deixar-se estar...

07 outubro 2006

Enrolada aqui, assim!

Tentar deixar os pensamentos para trás...
Estou muito cansada, insegura, preocupada...

Precisa-se pôr tudo isso para trás, parar, num instante que seja e dormir, sossegar, apagar memórias que me tornam menos o eu que já é pouco... que me pregam nesse estória que ainda é o que não devia ser.

O casaço dá destas coisas...
Dá dias assim: em que não há respeito nem pelas leis da passividade...

Não tenhas medo, não há verdade nenhuma aqui, nestas letras, nestas frases, nestas coisas que escrevo... Nelas há alguma outra coisa codificada que nunca deixo que seja a verdade em si mesma. Essa não a tenho eu, e não ta posso dar assim.
Sincera só sou quando te tiver diante e me fizer cruzar os meus olhos com os teus, só numa intensão de fazer-te entender, de mostrar-te que a verdade é dita cara a cara, tudo o resto é uma interpretação pintada por momentos solitários de sentimentos confundidos e de imaginações deturpadas pelas ditas... Imaginações...




Falar-te em voar ou em letras que se escrevem sozinhas pelo meu peito fora é-te sempre, mais uma das minh
as manias. Como sempre sou eu quem codifica tudo de forma anormal, aquela que complica o simples e que usa palavras mais complicadas que os significados que nelas pretende imprimir.

Seja.

Não tenho como mediar um tema sem que use a minha própria linguagem e, como assim ma deram, assim a utilizo para contar-te estas coisas simples de quem está cansado, não quer falar, mas escrever sem destinatário, sem objecto ou sem esse "tu" real, ajuda... é como se estivesse a falar sozinha, mas aqui não sou menos decente por isso.
É como imaginar, ou ainda bricar nas minhas casinhas com amiguinhos, de médicos e enfermeiros, de doentinhos e de bonecas...

Hoje é um dia assim!





Mas sim, rodeei o assunto!!!
Fui fazer este cruzamento para te não contar que este cansaço abalou a minha promessa!
Chorei.
Quebrei-a e sei que a não devia ter feito se sabia que cumpri-la era pior do que ir a Santiago nas condições em que o fiz este ano!

E na transparência que me deu quebra-la não fui capaz de sentir-me mal por fazê-lo. Ou seja, confesso que me não arrependo.(Vês como tento simplificar?)

Queres que conte contigo?
Esse sonho que és não me alimenta, não tem qualquer nutriente.
E como queres que viva destes reais que me não dão mais que açucar,
Também não me preenchem!



E não sei com
o dizer-te que nem queria nada preocupar-me disso, chorar aqui foi como limpar-me de preocupações. Foi deixar emocionar-me por nadas que me controlam ou fazem a minha vida...E não me venhas com complicações maiores!
Que eu sonhe e que saiba que o meu destino não é ficar aqui, nem em lugar nenhum; que saiba que estabilidade é uma palavra que em mim não cabe de tão disforme, não me convence de que não existas!

E prossigo tentando não pensar em acusar-te, se te conhecer algum dia, de todo o sofrimento que me causas só de existir sem eu saber disso!
Custa-me só imaginar o tamanho do amor que será necessário que sinta para te perdoar todos estes momentos em que o pousar da minha cabeça não tem o teu ombro de encosto, em que durmo sossegada sem sentir o calor da tua mão ali, geograficamente demasiado perto da minha...Todos os momento em que a minha alma não é completa, ainda que sendo feliz.
Custa-me conceber em mim tanto amor... Teria tantas coisas para perdoar-te antes... Teria que esquecer todos estes anos em que sofri de ignorares a minha vida, os meus problemas, teria que perdoar, até, aqueles momentos em que tu duvidaste de que eu existisse na realidade... Vou ter que saber perdoar-te esse medo de continuar indefinidamente incompleto.
Ou...


...Espera...
Talvez não...

Enrolada aqui, assim, chego á conclusão que não...

Talvez se contrabalance afinal...

Talvez sejas tu esse a quem ferirá saber que o meu estar na mesma triste ignorância de ti, das minhas duvidas da tua existência, talvez o imaginar-te impossivel...Ou mesmo este texto te venha a ferir...

Aqui admiti que às vezes não sei de ti em mim...

Perdoas-me?
Qual será o tamanho, agora desse amor?

Vendo bem, deixa lá, estamos quites!

***

05 setembro 2006

Em passos...

Houve tantas horas de passos entre nós - este conjunto ainda tão incongruente por não conhecer mutuamente arestas- tantas horas de caminho, de pedras e montes... Quilómetros de estradas estranhas.

Quilómetros que me contaram de vocês, que a vocês me uniram e que assim julgo que tenham feito convosco, mesmo que em silêncio, desse cansaço tão comum...


Canções de cada recanto da memória... Mesmo o mais recondito! Desafinações próprias a este friozinho da manhã! E quantas casas não acenderam as luzes matinais ao som de Rui Veloso?;)


Discussões de teorias, de músicas e nomes, de temas e vazios... Discussões às tantas surdas de nós, em nós, só para nós...

Mas também festinhas no cabelo e "obrigadas" sinceros de momentos menos prazenteiros de estar connosco fisicamente... Arfares simultâneos, mancar em harmonia, sem que harmonioza fosse qualquer passagem, nesse instante.

Ânimos em diversos formatos: era em olhares sérios, era em palavras severas, noutras doces, em oferecimentos de uma ajuda que nem para nós guardamos bem, em perguntas de "tudo bem?", em lanternadas ao chão, em mãos dadas, em sorrisos, em risos, em músicas... Ou num constante silêncio ininteligível...

Paisagens, muitas...De montanhas e de cidades, de rios e de chãos secos, Céus do mais estranho azul, ou do mais estranho sol que ainda não se vê... Escuros de quem corre ao fogo do meio-dia; e essa lanterna que empunho já sem saber onde alumiar sem medo... porque medo se sente quando ainda não vemos o trilho em que pisamos...

Demonstrar coragem para encorajar,
Contar histórias só para fazer esta hora passar...
Aprender a receber ajuda, dar...
E pousar a minha cabeça nesse ombro para descansar e saborear esta etapa que só convosco se consegue!

Chegamos!!! Mais uma etapa hoje!! E que beeeemmm!!!:)Inimaginável, incontável... shhhh.. cá dentro! Humm, como sabe bem! Este passeio depois até parece nem cansar.. Nem parece que andaste mais três horas com a máquina;o)!
Roupa suja, roupa seca e amigos novos!!De onde, não sei bem; porquê... Fico sem entender inteiramente...Necessário, no entanto!
Que seria de nós sem o Sr Joaquim e a esposa!!

E o derradeiro dia.. depois dessa noite... Só quem sabe somos nós! Mais umas horas, mais uns quilómetros, mas.... Eis que esticam!!!

Doridos, cansados, vividos e sempre esforçados foram cada um dos ultimos metros...
E tocar entre soluços a catedral...
Não posso dizer mais...
A partir daqui fica o segredo...

Tão meu, tão nosso...


E tão bom!

20 agosto 2006

A partir da letra...

A inclinação de sua letra mostra que você é uma pessoa bastante extrovertida, tem facilidade de se relaciona com as pessoas, mas, às vezes, acaba invadindo a intimidade alheia. A ligação de sua letra revela grande capacidade de raciocínio lógico e uma supervalorização de sua própria capacidade.

A direção de sua letra indica controle, constância e organização, especialmente nas tarefas cotidianas. A pressão que usa ao escrever sinaliza estabilidade e equilíbrio. As áreas valorizadas na sua escrita destacam idealismo, erudição, preocupação com seu crescimento interior. A forma de sua letra demonstra amabilidade em seus relacionamentos (amorosos ou não) e cooperação.

19 agosto 2006

Esquecer-me



Porque havia de ser o esquecimento tão requintado?

Esqueci já tantas coisas:

Passeios em criança, no colo da mamã,

Esqueci-me de momentos à beira rio entre a família,

Esqueci o cantar de algumas músicas,

Leis da Física,

Explicações e prendas,

Invenções e raciocínios geniais,

Idéias luminosas...

Esqueci algumas palavras,
Alguns momentos,
Algumas histórias,
Teatros e danças,

Números de telefone,

Até beijos, alguns beijos eu já esqueci...

Até o nome daquela flor, aquela.. agora mesmo não me sai o nome...
E tanto gosto...

Esqueci tanta coisa bonita...

Porque raios a ti tudo protege em minha mente?

17 agosto 2006

Um túnel..
















- Porque tremes desta forma?

Não tenhas medo, é só um túnel. É como quando ás vezes fazemos asneiras e não queremos contar aos papás, depois eles descobrem, arma-se uma grande confusão e pufff..... De repente não há mais nada que temer e tudo fica bem...

Aqui no tunel é assim também... De repente entra-se e está tão escuro, tão escuro que não dá para ver mesmo nada, e parece que há um abismo no chão sem que a gente se possa defender...
Mas ás tantas parece que o escuro melhora...
E afinal já vemos o chão...
E não há abismo nenhum, e até há um corrimão.

Parece que começamos a a andar e depois... Puffff... Já se vê uma luzinha ao fundo e sem que seja possível, já lá estamos e todo o medo se foi.

Vá, não chores... Passa, tudo passa... e o escurinho também :o)

29 julho 2006

Sabes que ás vezes,
deixar-me aqui pousada,
sem peso, sem nada
é como ficar pendurada
e ao contrário de mim...

Sim, de pés a cima
e cabeça a baixo...

Atenta:

É ter Tempo
De olhar
E de ver
E observar

Ou só assim
De deixar passar
Sem ver,
Nem olhar,
Sem observar...

Desatenta.

11 julho 2006

Felicidade

" Se eu pudesse trincar a Terra toda
E sentir-lhe um paladar
E se a terra fosse uma cousa para trincar
Seria mais feliz um momento...
Mas eu nem sempre quero ser feliz.
É preciso ser de vez em quando infeliz
Para se poder ser natural...
Nem tudo são dias de sol,
E a chuva, quando falta muito, pede-se.
Por isso tomo a infelicidade com a felicidade
Naturalmente, como quem não estranha
que haja montanhas e planícies
E que haja rochedos e erva...

O que é preciso é ser-se natural e calmo
Na felicidade ou na infelicidade
Sentir como quem olha,
Pensar como quem anda,
E quando se vai morrer, lembrar-se de que o dia morre,
E que o poente é belo e é bela a noite que fica...
Assim é e assim seja..."



Alberto Caeiro- O Guardador de Rebanhos



Há dias assim,
de compreender que a infelicidade faz parte da felicidade sendo que esta não se cumpriria se não fossemos, de vez em quando, infelizes... Seriamos menos experientes, menos conhecedores e mais inocentes...Que o dia comporta a noite e que se há calor de dia há mais fresco depois de o sol pôr...
Há dias em que não faz falta viver feliz... em que só se quer deixar pingar este Tempo...Deixa-lo trazer as novidades que nele boiam, sem nele nadar em busca de novos horizontes, só, aqui, da janela do meu quarto.... desde aqui podia ser um bom sítio para recebê-las... Vou ficar aqui...
Sem vontade de felicidade.

:o)
E sendo feliz, portanto...

09 julho 2006

Outono inacabado



(...)

Nasceram folhas
como nascem sentimentos
nos ramos duma árvore.

Foram,
Em tempos,
Razão de respirar,
Era sua função...

Mas já não...

O Outono passou,
E,
Agora,
Os sentimentos
Boiam como folhas na água deste rio
Um dia chegarão ao mar,
onde,
dispersas,
Já não farão sentido.

(...)

27 junho 2006

Noticias

Estou...
sim...
Parece que sim...
Dizem que sim... Eu não estou certa disso...
e num telefonema me pedem notícias...
e, sem surpresa, eu,
que aqui quase não estou, digo que as não tenho.
Em mim cai um peso de sentir que todas as palavras que assim pronuncio são da mais cristalina verdade:
"Novidades mãe? Nenhuma!"
Tão verdade e só por minutos doloroso este sentir que estou em dias em que o mundo é, segue, faz, acontece e eu nem o sol vi... Apenas me passou a suor este calor que dele vem (segundo me contam..., eu ja não o sei... já não sinto esse calor ser emanado desse astro...); suor que me escorre e recobre um corpo que também quase não sinto meu... Corpo, não mais que isso, Não eu dentro dele... nem deambulo... e fazia falta... Talvez, só talvez...

E já chega... É cansaço... ou sou-o eu... já não sei... não sei nada...
Façam preguntas da hemoglobina que às tantas respondo... mas também não garanto...


23 junho 2006

Faz hoje um ano




Faz hoje um ano estava diante de um mesmo aparelho como o que tenho agora, preparada para criar um blog. Já tinha nome, já tinha intuito, só ainda não tinha morada nem nada escrito...
Na minha cabeça estavam as complicações que também me assombram neste momento (" que raios, tenho montes de exames, montes de trabalho e 'tou p'aqui a escrever!!!") questões, sem qualquer dúvida pertinentes e que de certo modo abalam a minha filosofia pessoal, mas que fazem de mim mais uma conraditória pessoa, como tantas outras...No entanto, um ano depois, vejo o quão boa foi essa minha escolha e analizando o bem que me faz vir aqui pôr destas minhas palavras, diria que voltaria a fazê-lo, se mil vezes o repetisse:o).


Por outro lado, a comunicação só toma valor porque há um receptor (isto dizem as más línguas;o)) e ainda que eu resmungue porque o pessoal passa por cá (alguns até têm a distinta lata de inclusivé gostar e não apontar comentário nenhum;o)) e não comenta, sei que o lêem com afinco e que me procuram entender - há outros que preferem percebê-lo como um desnudar de mim - dai que me sinta totalmente em posição de agradecer profundamente, neste dia de aniversário e em cada comentário que me fazem quando passam por mim;o):
aos que comentam e aos que não, aos que gostam e aos que não, aos que criticam e aos que não, aos que fofocam dele e aos que não, aos que apoiam e aos que não, aos que levam a mal, aos que a bem o levam, aos que se esquecem dele e principalmenete aos que não o fazem;o) aos que lêem, todos e em geral um grande beijo de agradecimento:o).. Neste dia quem faz o primeiro ano somos os que o contruimos, não Ele, página em si...

Por isso, Parabéns!! E espero continuar assim, todos, desta mesma forma.

" Is that clear?!"
***