27 abril 2006

Emilce... Hace tanto tiempo***


Ya hace algun tiempo que no passava por su blog, el tiempo siempre me dita lo que puedo o no hacer, pero volver me mostró que sigues escriviendo lo que suena bien, lo que trae música, lo que nos toca. Principalmente escrives lo que creas.
Una vez más me supo bien leerte y una vez más te plágio:

Gracias por ello***:o)








"Te deseo que un aire fresco llegue a tus pulmones.

Te deseo que llegue de nuevo a ti la sonrisa espontánea, el abrazo fugitivo, el beso sin rumbo.

Te deseo que ames de nuevo, y de nuevo que ames más.

Te deseo que nunca se canse tu cama del mismo cuerpo, ni tu pensar de la misma alma.

Te deseo que aprendas a darlo todo en el primer instante y sin reflexionar.

Te deseo que ames de nuevo, y de nuevo que ames más."





21 abril 2006

Há noites que são lupas


Há certas noites
Que são lupas,
Lupas especiais!

Atormentam
Com imagens reais,
Mostram problemas,
Os nossos,
Banais
Curriqueiros!
Tudo grande, desfocado!

Depois o sono não vem!
Fica vendo a lupa,
Na conversa!
Quando damos por ela,
É tudo tão distorcido
Que é até parecido
Com o sonho normal!

Acordamos todos depois
Chateados
Por não saber onde foi
Que dormimos!

Poema em linha recta.

"Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas
Vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondívelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu que tantas vezes não tenho tido paciência para
tomar banho,
Eu que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes
Das etiquetas,
Que tenho sofrido enxovalhor e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo
Ainda;
Eu, que tenho sido cómico ás criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de
Fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, Pedindo
emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho
Agachado
Para fora das possibilidades do soco;
Eu, que tenho sofrido a angustia das pequenas coisas
Ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um acto ridículo,nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão principe- todos eles principes- na
Vida....

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse não uma violência, mas uma cobardia!

Não,são todos o ideal, se os oiço e me falam
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma
Vez foi vil?
Ó principes, meus irmãos,
Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e erróneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traidos- mas ridiculos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traido,
Como posso eu falar com os meus superiores sem
Titubear?
Eu, que tenho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza."

Álvaro de Campos

O meu relógio parou


- Paras-te.
Hoje, à hora em que um dia eu fui só eu, por inteiro, pela primeira vez: 10:30 da manhã.

Que quizeste dizer-me com essa tua atitude tão despojada de interesse por mim?
Quiseste mostrar-me que estás ai?
Não me dou conta disso excepto quando preciso controlar-me as pressas, os vagares e os pensamentos...

Foi para que visse que além de ti, eu continuo, ainda que sem tempo?

Talvez estejas a tornar-te um pouco humano. Estás a chamar a minha atensão para ti.
Estas a pedir-me aos berros que te aprecie.
Discuti contigo horas e, por isso, aqui sonho que com isso tenhas o bastante!!
Às tantas nem horas foram, mas tu continuas sem me esclarecer!

Era para mostrar que perco tempo?
Perco?
Não me aturo assim!
Com isto estás irreconhecível!Não entendo quem és agora!
Se não és o Tempo, quem és tu?!!!

Quiseste contar-me que existes como peça material. Que isto de que não te veja como objecto mero e simples, sujeito a todas as leis da física, da química e dimensões no espaço, te afecta, não está bem!

Conseguiste!
Agora sei que tu rodas sempre no mesmo sentido, que dás voltas sem sair desse ponto central e que trabalhas a pilhas. O Tempo não faz nenhuma dessas três coisas!
Parece que o Tempo é uma própria dimensão em si, que nos atribui num ponto velocidade, mesmo sem sair deste sítio!Tu só segues esse factor como um discípulo disposto a aprender tudo quanto pode ensinar um mestre. Estavas para ajudar-me a não exceder os limites de velocidade no meu caminho!
No entanto, discípulo imperfeito, não sabes seguir teu mestre.
Só sabes que é envergonhado, que quer passar sem ser visto, por isso é que passa rápido quando estou distraida e por isso é que faz cerimónias quando não tenho que fazer!Não quer que dê por ele!Nem tu o queres, tampouco!
Queres que pare de pensar nisso?
Voltas a ter razão: o tempo não é sentido quando se pensa. E eu procuro senti-lo a cada instante!

Sabes, agora vejo o quanto lhe és distante.
Tornas o tempo em unidades, são, em ti, conjuntos de segundos, minutos, horas, dias...
O Tempo não é nada disso.
Se eu algum dia quizer o Tempo será, para mim, continuidades!!!Também pode vir em momentos sem que nunca chegues tu a saber se são momentos continuos ou que percistência lhes dou!
Tu nunca farias nada disso a teu mestre!Só podes parar!!!

Paraste nessa hora e nem sabes que significado isso tem! Eu sei!
Tu só sabias que esse era mais um movimento ao qual te impeliu e Tu, discípulo já moribundo, reflectindo nesse próprio valor de objecto desististe.Ou então, tu, discípulo rebelde, manifestaste a tua realidade de ser e partiste para uma velocidade só tua de objecto dimensional!

Fizeste bem.
Fico feliz por tomares uma atitude tão tua!Agora sei que estás bem contigo!
Fizeste com que eu pensasse em ti. Que gosto de ti como és, nem que assim sejas-parado!Ao menos sei que vais ter razão duas vezes por dia, vais encontrar-te com Ele nesses minutos!

Eu também tenho desses momentos, sabes?
Ás vezes faço coisas ruins porque me assim sinto pensar e pedir por dentro...Depois encontro a minha ruindade e sou completa: os defeitos e virtudes... e sou confortável em mim novamente.

Todos somos semelhantes em partes diferentes.

25 março 2006

Segredo


Este post tem como objectivo descasar-me das minhas linhas cruzadas sem deixar descair qualquer conclusão, qualquer frase comprometedora, sem dizer nada daquilo que nem para mim admito.Por isso, desde já deixo o aviso de que ler isto possa vir a ser a imbecilidade de perder tempo.

Há alturas em que o sentir-me dentro de mim me faz mal, como faz também aquilo que teimosamente insisto em fazer rever em imagens flash. Faço questão de me enrolar num novelo específico para turturar... Não só a mim. Há mais quem sofra por ver que não resolvo; que me mantenho no meu passado, que me quero totalmete pendurada numa era...Num jardim que já se fechou e secou devido ao tempo.



E cruzar-me a mim mesma no rever dessas histórias, em sentir-me pesada e diferente por não me ordenar e não me obrigar a olhar o céu, quando ele está tão limpo e tão chegado a mim.Tão perto de me dar um dia claro, de me fazer ver a vida melhor.


Não, não se passa nada; mais uma vez estou parada dentro de mim. Encostada a razões morais e de frente contra o que tem que ser...Quero só que ainda ceda mais e que continue a aquecer-me as costas...

Vejo como se de um espelho se trata-se:
a minha esquerda é a minha direita, e os meus sentimentos são o que não respeito.
A esquerda move-se no meu outro lado, que nunca sei qual é! O que é direito e o que é esquerdo!O que está esquerdo e o que é mau.
Mexo a minha direita com a intensão de tocar, no meu peito, o meu coração e toco precisamente o outro lado que chega a parecer a zona da razão, porque é onde o peito nunca oscila tanto pelo bater desse entrecruzar de olhos!
Mas o que me confunde é só olha-lo... Esse espelho...


Se baixo a cabeça e me concentro, a minha mão sabe buscar o vértice que me late incessantementeno no centro, sabe fazer-me sorrir pensando nas conquistas...


Conquistas que deixei passar, conquistas que quiz fazer , conquistas que guardo e que partilho. Como partilho mais do que devo, como vejo mais do que alcança a minha mente, Sonho menos do que o que quero e estico-me tão pouco...o corpo não me acompanha.



E gosto de caminhar assim, tocando nuvens que eu própria crio para sentir que atinjo metas.

10 março 2006


Olhava eu agora minha mão
Quando me adentrei num pensamento
Sobre essa sua lida e função!
Continuada,Insistente, diferente
Em cada momento.
Diferente também na pessoa.

E dela conta coisas,
Muitas coisas
Coisas sem conta dela!

Para mim, aqui, quieta,
É-me imagem de força

Daquela força interior
Quer é sempre superior
Ao que prevemos nós.

É a pá do trabalho,
Do trabalho pessoal,
Do que movemos,
Do que criamos,
Do que queremos,
Dos que amamos!

Somado tudo
Estas minhas mãos,
Aqui quietas
São toda eu,
Eu e todos os outros que toco

São pelo menos o meio
Mais puro e sincero
De trocar gestos
E não sentir de perto
O peso da solidão!

05 março 2006

São todos vocês:o)

Descobri

Descobri, uma vez,
Poemas em minh´alma.
Certa noite
De muita calma!

Lá estavam poeirentos
Quase empoleirados,
Também
Para cima do vaivém
Que se tornara o pensamento!

Jaziam no baú da vergonha,
Da humildade e do medo
Mas veio a saudade
E mos mostrou.

Encontrou-os
Contei-os
E depois
Finalmente,
Consegui
Escreve-los
Fielmente
Á minha imaginação!

03 março 2006

Tinha pensado

Houve, ontem, um momento em que reflecti que era bom dar-me novamente asas na escrita.Ando a pensar demais no que pensam os que cá passam porque inevitávelmente ouço as suas opiniões e porque as agradeço muito. No entanto, este meu canto é exactamente isso e vou então voltar a pôr, quando assim o notar necessário a mim, quer sejam os meus poemas quer os meus raciocínios: nem sempre lógicos!

Hoje, no entanto, o cansaço faz-me só lembrar no balde em que vim parar. A minha vida curvou de forma assombrosa nos últimos meses e vejo, através deste meu blog, que me tenho centrado demasiado nisso.
Continuo mais plural que o sitio onde estou; a minha pessoa continua cheia de coisas por ver, músicas por gostar, análises por fazer. Tenho feito muito mais do que a medicina de que tanto falo e que tanto me ocupa.Tenho aprendido muito mais que o catalão, tenho ganho mais do que experiências.

Aprendi que a distância não afecta a quem não tem que afectar, e que o que tem que continuar intocável assim o faz. Vi que tudo está na nossa cabeça e que a ansiedade só chega a estrangular o meu sangue nas veias quando se aproxima este dia de viajar de volta a casa. O cansaço só me atordoa quando o deixo, porque me conheço. Bem como as minhas linhas básicas de pensamento. Quando quero subir e vencer sei que o posso fazer e é o bastante.
Não dei tudo de mim e é isso que me assusta.
Mais me assusta o meu engano e o que respinga nos meus.Tenho vazios por preencher que não sei onde encontrar o conteudo certo para o conseguir!Não sei se são realmente vazios ou cicatrizes... Se forem não haverá solução! E medo.. esse...

Aprendi que o amor só está naqueles a quem sabes entregar e a quem olhas no fundo dos olhos procurando não mais que a tua própria sinceridade; que a segurança de se ser amado é mais nada que essa amizade intrínseca de quem sofre do mesmo mal que tu, ou de quem te quer, ou de quem é diferente...
Que há coisas sem solução que a mereciam encontrar, que há injustiças que foram construidas pelas tuas mãos em nome do que tu defendes como os teus sonhos.Mereceria a pena continuar?

Aprendi porque aqui estou, porque amo o que me rodeia e porque o sigo...

Por mim...
Faço-o por mim...e não mais. o egoismo que sempre me caracterizou e que só mudou a máscara ao longo destes anos. Agora é socialmente aceite...

19 fevereiro 2006

Noticias




















"Mande noticias do mundo de lá
Diz quem fica
Me dê um abraço venha me apertar
Estou chegando

Coisa que gosto é poder partir
sem ter planos,
Melhor ainda é poder voltar
quando quero.

Todos os dias é um vai e vem
a vida se repete na estação
Tem gente que veio para ficar
Tem gente que vai para nunca mais,
Tem gente que vem e quer ficar,
Tem gente que vai e quer voltar
Tem gente que veio só olhar
Tem gente a sorrir e a chorar
E assim chegar e partir
São só dois lados da mesma viagem.

O trem que chega é o mesmo trem da partida
A hora do encontro é também despedida
A plataforma desta estação
é a vida desse meu lugar
é a vida desse eu lugar
é a vida..."

Nem sempre me dou conta mas o passar dos dias trás sentido a algumas coisas.. e esta música tem agora mais sentido do que antes!!
Acabo de fazer mes e meio aqui... a vida continua...
***

09 fevereiro 2006

Tirei o dia para perder tempo.


Na realidade, não acredito que este predicado exista.

Não perdemos o tempo, até esperar nos trás coisas novas, bonitas de apreciar, sejamos atentos.
Mas a questão é que, agora em época de exames, e depois de um em que me fartei de ralar, fiquei bastante cansada, de maneira que hoje, tendo em vista o que devia estar a fazer, tirei o dia para perder tempo (de estudo, por assim dizer), para não pensar em coisas de raciocínio, de responsabilidade, de exigência. Vim aqui por palavrinhas para me descontrair, ao invés de ficar parada a olha uma televisão, que ainda por cima fala lá uma língua que preciso descodificar a todo o instante... Demasiado trabalho.. e para isso.. nem pensar!!!

Hoje quero só dizer que o meu cansaço atingiu um limite e que me cuido. Quero que se note que ne quero bem para o próximo que que isso exige que eu recupere deste último tumúlto Biofisico. Quero dormir mais horas do que aquilo que deveria, quero espreitar os e-mails de toda a gente, quero estar sozinha, aqui só com o meu computador, ver coisas de vários sítio...

Não quero que me perguntem como está a correr tudo.

Dói-me já ouvir isso porque constitui uma ondulação, uma vibração já muito repetida e á qual não tenho as certezas para responder em consciência. Quero só acabar o próximo exame de bioquimica do proxima quarta -feira.

Hoje quero pensar no que há de bom aqui á minha volta, quero ver que, a cima de tudo, tenho sorte, tenho gosto, tenho esforço e força...
Quero sentir que ainda vivo. Quero olhar lá para fora e ver só que há ainda um céu onde passam nuvens, sem lhe misturar raciocínios de gravidade ou velocidade de sedimentação....
Ai que raio...
E o pior é que só falo nisto...
Não estou a ver como relaxar...
é complicado... mas pronto... vá.. vou-me amanhando...;o)

07 janeiro 2006

Chegada é a hora de enfrentar

Volto a estar num dia mais em baixo,
Não por nenhuma razão que valha a pena
Mas porque simplesmente me volto a imaginar longe dos meus!

Longe deste dormir descansado
Nas manhãs dos braços da minha mãe,
Longe do abraço do meu irmão matinal
Que arrasta chinelos pelo corredor de sono!

Imagino-me no meu silêncio
Tão bom, mas responsável por coisas por fazer!
Imagino-me de volta ao meu umbigo de estudo!
Ao meu trabalho,
À minha própria preguiça de NÃO fazer coisa alguma!

Faço a mala num ritual ainda antitético ao da última vez,
em Barcelona!

Junto a vontade de evoluir-me
Bem concentrada num montinho só
Para poder sentir a sua essência dentro de mim.
Para cheirar de perto que ainda tenho comigo força para viajar.

Apoio-me no que levo.
No que levo comigo
bem dentro!
Apoio-me no que nunca ninguém me pode tirar,
Nem á força de roubar!
Nas recordações,
No falar de amigos
Nas próprias saudades.
Porque até elas
Não são mais do que a prova de se ser amada!

Vou, agora com mais firmeza
Do que tinha no inicio destas linhas!
Escrever ordena-me idéias razoáveis.

30 dezembro 2005

Atenção que se vai falar bem do país!


Este foi um tema que me levou a discuções acesas com alguns colegas e amigos, é um tema que eu adoro discutir. Levou-me a sentimentos controversos na época de decidir se preferia Espanha ou Portugal, e continuo a debater-me porque considero que o pior é que somos tão negros de visões que nos afundamos a nós própios, como país, quero dizer.

Como a maioria dos que aqui passa sabe, eu acabei por não ter mais opção em ir estudar para o país vizinho, ainda que hoje (e já na época) considerasse que essa era a melhor idéia; Portugal não nos acena com grandes oportunidades de futuro e o "estrangeiro" continua a dar-nos sempre, ao que consta, melhor formação e/ou abrir mais portas do que o nosso terreno.
Não obstante, e contra tudo o que se possa pensar, eu tenho uma paixão quase cega pelas paisagens onde cresci! Não somos muitos e eu tenho a honra de ser uma das portuguesas!
Isso não calha a qualquer um!! De maneira que, para meu orgulho, não tenho problemas em mostrar o quão sofro de saudades, não só de familia e amigos mas também de tudo o que é puramente luso!!(é verdade, confesso.. tenho andado a tentar descobrir o maldito 560 em todos os códigos de barras;o)).

Para minha alegria ainda, gostava de vos contar uma das aventuras que me aconteceu mesmo quando regressava ao meu lugar:


A viagem que o meu pai me marcou, por pura despistagem, foi marcada para uma hora (que não vou referir para não chocar os mais sensíveis)que não combina com as pessoas de bom tom como eu;o) de forma que era absurdo, a meu ver, estar a pedir às minhas lindas freiras da residência que acordassem duas horas antes da minha partida e irem abrir-me os portões de propósito. Ora bem, partindo disto, decidi que, havia de ir directamente dormir umas horitas ao aeroporto juntamente com a minha distinta tralha!!
Nenhuma idéia teria sido tão genial, principalmente para quem ainda não tinha feito a mala toda e, portanto, desconhecia por completo o real peso que ia carregar!!
Para melhorar qualquer noite de despedida decidi ainda combinar com os colegas do catalão um belo jantar, que se prolongaria até ao limite do último horário de comboio para o meu destino final e assim foi...Calha que eu também contava deixar, entretanto, a mala na casa de um amigo e este senhor desapareu, oportunamente.. mas adiante!!
Indo nós jantar ao, penso eu, único restaurante que tem escadas de Barcelona, com mala e tudo, consegui levar a cabo a missão esta de passar bem com eles antes de partir (ainda que houvesse uma série de histórias fantasmagóricas pelo meio.. mas adiante!!).
Cheguei finalmente a Sants onde apanharia o autocarro (Barcelona está em obras...)e mesmo quanto ia a entrar no dito cujo-já amaldiçoara vezes sem conta a lei da gravidade e o sr Einstein- tropecei e quase malho para cima de uma mocinha inocente que, graças a Deus, compreendeu a minha situação e começou alegremente a falar comigo em inglês. Esta rapariga, mais voluntariosa ainda, ajudou-me naquele momento difícil de subir o raio dos degraus da carrinha e pôs-se logo a tagarelar a dizer que entendia muito bem aquela situação porque havia cinco meses que não lhe acontecia outra coisa...
Explicando melhor, a Rachel estava já a contar-me que também estava a dirigir-se para o aeroporto, onde ia dormir, para seguir depois num voo para California!!
Comecei por contar um pouco das minhas peripécias daquele dia e, achando curiosa a primeira frase dela fui-lhe perguntando que raios fazia ela, há cinco meses, assim. Esclareceu-me dizendo que estava a fazer uma viagem sozinha por toda a Europa; nestes cinco últimos meses andara com as suas trouxinhas que acumulavam recordações de vários lugares, para baixo e para cima...
Tinha conhecido muitos: Itália, Polónia, França, Bélgica,Espanha, Alemanha, Austria, Portugal...
Perguntei-lhe, sem demorar muito, qual deles ela tinha gostado mais, quais os que mais a marcavam...
Sim, Para meu espanto começou por lembrar os Italianos... Mas a seguir.. e com um tom bastante convincente, falou-me de um país alí ao lado de Espanha, seguramente eu nunca o havia visitado mas valia muito a pena!!!- Portugal!!-.

- Oh.. a sério?? Gostaste?

- Adorei!! Nem imaginas a hospitalidade das pessoas. Se me permites ser franca, gostei muito mais de Portugal do que de Espanha. Não me leves a mal...
É que as pessoas são tão diferentes! O atendimento, o cuidado, a atenção...
E é que é tudo tão típico, tão diferente de tudo. A beleza que reveste aquelas serras, os parques...
Txxiii... e a comida?? MEU DEUS!!! Aquele queijo!!! Jesus!! O vinho!!

A moça partira do pressuposto, e depois de me ter visto a indicar umas coisas a umas espanholas em castelhano, que eu era uma autoctone!
A menina mostrava-se apaixonada e nem sabia ela a prenda que me estava a dar naquele dia em que eu tinha as saudades esticadas ao máximo da minha capacidade...
Continuei calada...
Ela falava-me da música deles... o fado.. era algo que não se ensinava sabias?? e saía dos corações melancólicos deles!!! Comprara tantas coisas portuguesas para levar de recordação!! Aliás, pretendia voltar ao país quando pudesse e mostrar tudo aquilo á familia...
Eu só ouvia!
Os italianos também eram muito engraçados, tinham uma comida muito boa também.. Mas primavam pela graciosidade... pecavam por ter cidades sujas...
No fim de tudo aquilo, estavamos já a chegar ao aeroporto ela reparara no meu silencio. Entendera que exagerara!Havia dito a uma espanhola que Portugal era bem melhor, quer na hospitalidade quer na beleza!!
Eu simplesmente estava admirada...
Depois de pararmos e decidirmos que iamos para a mesma terminal para dormirmos ou conversarmos juntas até a hora do avião, notei que estava constrangida, e também tentava falar bem de Espanha, sem grande sucesso... Falava na arte de Barcelona, na beleza de alguns sitios pelos que passara...
Eu contei-lhe, por fim, que estava ali para ir para casa também, que tinha um voo marcado para deshoras, que ia para o meu país depois de ter estado uns tempos fora para estudar...
Contei-lhe que ia para Portugal!
Ficou boquiaberta!!!
Sorriu e explicou-me que estava a ficar embarassada mas que, agora sinceramente, detestara Barcelona!! Que era fria, que não entendiam nem espanhol nem ingles, que não vira qualquer tipo de boas-vindas por parte dos Espanhois em parte alguma...Inclusivamente, pela primeira vez estava amedrontada por passar ali aquela noite...
Foi giro... Falamos o tempo todo (ou não fossemos nós mulheres) apercebi-me de quantas semelhanças temos os humanos... Das saudades que guardamos ainda que muitos não tenham uma palavra para o descrever por inteiro...
Senti-me sortuda por conhecer mais alguém que gostava de nós!
Espero que agora entendam a minha posição e remarcada afirmação para com o meu país...
Levei algumas bofetadas dele, erros que só quando compreender a dimensão das coisas, só quando tiver preparação, poderei mudar e fazer subir este meu chão no qual acredito.
E eis a minha história...***






23 dezembro 2005

De volta à carga!!

Enfim penso poder escrever algo, depois de tanto tempo e de tantas coisas novas!!

Só agora tive tempo para respirar, a universidade têm-me sugado o tempo de uma forma que eu nunca julguei possível, mas não me queixo, uma vez que têm sido bom aprender "coisas de médicos";), eu sinto-me feliz com isso, ainda que nunca deixe de ser demasiado cansativo.

Ara mateix, como dizem os colegas lá da catalunha (expressão que não quer dizer mais que " agora mesmo";o)), Estou em período de descanço, finalmente!

Não é que tenha coisas muito inovadoras para contar; escrever às vezes serve-me só para aliviar a vontade que tenho de construir coisas e não sei bem como, mas assim também aproveito para partilhar aqui no blog, com quem passa, das minhas novas aventuras lá com a medicina e com o catalão, a nova língua.

Espanha inteiro, e agora o vejo mais claramente, tem qualquer coisa contra os de Barcelona e a verdade é que os catalães não são nada disso que eu tinha ouvido falar, até bem pelo contrário, têm-se mostrado bastante acolhedores e posso já contar com alguns amigos por lá, felizmente.

Isto de se ir para tão longe, mudar de vida, costumes e cultura, têm os seus quês e cada vez me convenço mais de que se têm tratado sempre de mais valias para mim; a cada dia sei de uma nova coisa, não só da zona onde habito como também de todo o mundo, porque, por exemplo na aula de catalão, tenho colegas de todos os cantos e esquinas deste imenso mundo: uma de S salvador, uma mexicana, um colombiano, um belga, um bulgaro, uma polaca, uma italiana (alguns aqui em baixo;))... assim e dado que o programa de ensinamento catalão também favorece estas coisas acabamos por conhecer de tudo um pouco...
Da faculadade de medicina também não me queixo, bem pelo contrário, conseguimos juntar o útil ao agradavel. Somos imensos portugueses (cerca de 15 num grupo de 300- o que é bastante)facto que nos permite ter sempre alguém que entenda por inteiro (digamos que falar na nossa língua natal tem bem mais que palavras e só quem a fala também nos entende lá do fundo...) e por outro lado temos imensos catalães e espanhois ( a distinção foi feita por respeito a esses que agora se tornam amigos e que me explicam que isso é um sentimento...;o)). Assim aprendemos a língua e cultura, mais a medicina e a amizade com eles.

As prácticas têm sido, mais que tudo, motivadoras e as oportunidades já nos têm surgido nesta universidade que agora defendo como minha, porqua assim o é. Há projectos e idéias a ser debatidas com bastante afinco e profissionalidade, já desde o primeiro ano. Além disso, há os dias de CAP (centro de atensió primária) onde nós ainda não podemos olhar as pessoas com olhos de médicos mas já podemos assistir ao médico nas coisas mais triviais sentindo-nos mais animados e motivados para o que se segue...Além disso, estes dias em que nos vestimos de bata branca e adentramos o consultório do médico orientador, tomamos conhecimonento da forma de interacção entre equipas, do funcionamento da papelada, do tratamento de bastidores que reveste esta vida médica de uma variedade enorme de coisas que não nos passam pela cabeça que existam. Dão idéia de alguns falhos dificeis de contornar que todos os dias são pontos que preocupam as equipas, falhos que temos que estar preparados para assitir... Ali sentimos os quão variados devemos ser todos nós para salvaguardar o nosso objectivo: o cuidado, assistência e atensão dos pacientes!

Assim me voam estes dias em que as saudades dos nossos se multiplicam em exponenciais, em que o cansaço nos come a cabeça e nos anestesia, um sono tranquilo para um novo dia...
Nesta roda viva começam a surgir amigos que só confiamos, sem mais explicações profundas porque as não há... Aparecem claros aos nossos olhos fraquezas que até ali não acreditavamos ter e que nos tornam os humanos que somos.
Começa a parecer-nos certo que em algum momento temos limite... E no dia seguinte lá estão mais pessoas e mais frases que nos tocam, mais gente, mais coisas para saber e, estranhamente gostas...

Chegar a casa, sozinha, é de alguma forma, muito bom. Passear e ver tanta gente diferente, linguas que não entendo ou talvez algum portugues misturado, aspectos e feições...
De manhã chega a ser mais custoso.
Uma vez passei por um corpo a tremer. Chamo-lhe assim porque efectivamente estava embrulado, dormia naquela
curva que eu faço para apanhar os ferrocarrís, e estava naquele saco-cama vermelho, deitado no chão, tremia tanto que não fui capaz de destinguir se era um corpo feminino ou masculino... Sei só que aquela imagem vai ficar gravada por algum tempo.
Bem se diz que tudo tem o seu reveros e é assim que Barcelona mostra o seu avesso...No entanto, apesar de tudo e talvez até de forma egoista, eu gosto de lá estar. Sinto-me sortuda e vou continuar a aproveitar esta oportunidade que me calhou viver.
Amanha quem sabe?




30 setembro 2005

Ora daqui fala Rosana Marques, da universidade autònoma de Barcelona;)

Com efeito cà me encontro eu, a tentar escrever em meia hora as ultimas novidades publicàveis neste meu recanto onde os mais chegados se fartam de passar:o) e eu toda contente:o).
Passo a informar que isto de postar coisas està a tornar-se cada dia mais ddificil uma vez que tenho batstante que fazer nestes primeiros tempos nesta terra tao longìncua e, ainda, desconhecida:o)...Mais acrescento que estou num computador da universidade e, assim, nao vou poder por os habituais til e alguns acentos uma vez que n os encontro neste primeiro olhar sobre o teclado e n m apetece, nem tenho tempo para os procurar, peço, portanto e desde ja, as minhas sinceras desculpas de n poder por aqui um portugues mais portugues;o)...

mais coisas?? Ora bem, Esta tudo a correr bastante bem, gostei, como ja tinha dito e repetido, da universidade, da organizaçao e, recentemente sendo que è uma situaçao que se tem mostrado crescente, tenho gostado bastante dos meus colegas. Jà conheci muito pessoal portugues(ao contrario do que se possa pensar aqui estao muitos "tugas") mas tambèm tenho constatado que, muito ao contràrio do que o resto de espanha diz dos catalaes, os catalaes sao bastante simpaticos... n noto, de maneira alguma rejeiçao e eles, sabendo da minha nacionalidade, nao tem qq problema em aguçarem o castelhano (ainda nao me consigo por a falar o catalao).

A lingua tambèm se tem mostrado bastante acessivel uma vez que, uma semana depois, consigo entende-la sem olhar directamente aos labios dos professores(note-se que ainda so entendo o catalao do professorado, tudo o resto ainda se me assemelha a uma cantiga corrida de rap).
e pronto.. isto agr às minhas tres (às vossas duas) ja vou estar em aula e, assim sendo ja m vou despedindo...Como sempre agradeço os coments e cà estarei para os responder caso os haja:o)***

13 setembro 2005

E mais um dos escritos da Emilce:


"Porque me desnudo?
Por simples costume
Para não me negar o prazer do sol beijando-me
a ele não lhe importa o meu estado de espirito
ou estatura
ou peso
ou se me apetece beija-lo
se o seduzo ou não
simplesmente beija-me calorosamente
até que a lua, ciumenta, mo arrebata.
Desnudo-me para não esconder nada
para que não me classifiquem pelas roupas
se sou pobre ou rica
inteligente ou burra...
porque confio na pele exposta
já que a minha pele se esconde
por detrás de muitas contradições
desnudo-me para querer-te
ainda que às vezes não me queira eu mim
Desnudo-me como se estivesse só
e de repente dou-me conta de que estou contigo."

BARCELONA!!




Escusado seria prever que eu ia contar da minha linda estadia em Barcelona!!
Pois é!! E começo já já!!;O)

Como começar??

Bom, pelo que se pode desde já notar eu gostei daquilo, não fosse eu já ir com idéias e ainda por cima ter um guia espetacular que, na sua explicação continua e rica em informação, me incentiva a aproveitar o que me caiu nas mãos!
A questão é que, se eu ia para verificar as melhores condições que lá existiam, foi só abrir os olhos ( e diga-se, bem da verdade, que era complicado àquela hora, mas enfim... lá estava o nosso campus: Enorme(230,2 ha) , organizado, extremamente verde e simultaneamente completamente recoberto de Bilbiotecas(7), heterotecas(1),institutos de investigação próprios (5), centros especiais de investigação próprios(13), centros de estudos (3)... Sem contar com os serviços de tudo em qualquer lugar:serviços cientifico-técnico de apoio à investigação(7), serviços especializados(33), serviços técnicos gerais de apoio à docência e à investigação(7)...
enfim... gostei... Vá se lá saber porquê..;O)
Calhei, pelos vistos, num período de mau tempo. Precisamente na semana em que lá estive houve, como se noticiou por todo o lado, grandes tornados (3). Eu, pessoalmente daquela linda janelinha onde estive a apreciar esse fim de dia, só consegui ver muita chuva e mais uma grande tempestade eléctrica, por sinal, bem gira também. De qualquer forma foi um caso sério ter-se que fechar o aeroporto, ver todas aquelas àrvores caidas pela força do vento, que, assim, fez mais uma vez o favor de nos lembrar que tem muita força quando quer...
Engraçado que também dessa janelinha vi as saudades de perto..Já aquela partida, como antigamente, no comboio, foi pesada... as lágrimas estiveram à porta...já sai dali com saudades de todos de uma forma muito especial...
Mais precisamente, dizia-me a espanhloa que calhou comigo na viagem de volta, "ya se te nota la moriña de lo tuyo en los ojos". Realmente: começar a reconhecer Monção ( a terra dos meus papás e onde passei também muitas das minhas férias da infância)foi muito engraçado, acho que eu própria sabia que transparecia saudades do que é meu...
O reve-los foi a minha mantinha para o frio...Aqueci por dentro:o)

De resto, sem duvida, aquilo vale a pena ser visto...
Aproveitei também, para visitar algumas das coisas mais conhecidas daquela linda cidade:Parque Güell, Sagrada Familia, Catedral antiga, Ramblas, ... entre tantas outras coisas, cada uma mais encantadora que a outra...
E pronto... de resto é so ver as fotografias:O):

04 setembro 2005

Agora mais perto da ida



E estou quase quase a ir para Barcelona!!
Meu deus a confusão que se gera por mudarmos as coisas que tinhamos antes...Até parece estupidez mas a verdade é que passa tudo pela cabeça nestas alturas: As saudades que vamos ter dos nossos (família, amigos, cães, gatos...), o medo de enfrentar o desconhecido, a pena de ir...
Hoje, indo amanhã á tarde para la apenas por uma pequena temporada (para já só vou cinco dias), sinto que sofro já deste síndrome de aversão à mudança!
No entanto, e ao pôr-me agora a pensar como deve ser, sei bem que tudo isto não é ao acaso!É a minha escolha, é a minha vida e tenho fé no que estou a fazer!A coragem que nutre a força que me move vem do meu esforço em conseguir aquilo que sempre quiz. Como "recompensa" vou fazer o curso de Medicina ao qual sempre aspirei, vou conhecer um novo mundo, mais uma lingua, mais uma cultura... Penso e acredito ser esta a melhor escolha;
No entanto, e como na vida NADA é dois mais dois igual a quatro, vou usar esta semana no sentido de descobrir um bocadinho deste novo meio, explorar as vantagem e, principalmente reconhecer os contras que pode haver escondidos.. só depois disso haverá um ponto da situação mais firme...
A vontade, realmente era poder ir, apoiando-me nos factos que conheço, mas nunca se sabe demasiado bem de tudo e já vi coisas mais firmes a irem por àgua a baixo...
É com calma..
Entretanto aproveito para despedirme por cinco dias, depois, já saberemos mais alguma coisa;o).Ter internet lá assim à minha vontade é quase uma utopia pelo que garantido que volte a postar é mesmo na semana que vem;o)!
Agradeço, ainda assim, a atensão que aqui me tem sido dedicada...
Obrigada :o)
E até pá semana;o)!!***

30 agosto 2005

S. João D`arga rodeado de cinzas...

Qualquer um dos que aqui me lêem sabem, de alguma estranha forma muito próxima, o desastre que este ano se viveu no país, relativamente aos fogos, verdade? Pois...

Tendo me comprometido, desde o início deste blog, a tentar pôr as coisas de tal forma a que nunca ninguém se entristecesse ao ler algo que eu por minha mão cá pusesse;Não posso agora cumpri-lo mais... a verdade é que, estando eu também num dia menos bom, não me consigo alienar do que vi....
Note-se que, gostando eu tanto de fotografia, não fui deveras capaz de tirar uma única fotografia áquela desgraça... Mas passo a explicar:

Todos os anos, em S. João D`arga há uma festita, uma romaria, uma tolaria.Ai se juntam num adro repleto de história e beleza, as bandas da zona, assim como outros que ali se venham a juntar... E NÃO SÃO NADA POUCOS!!! Mas continuando...
Para quem não conhece aquilo é apenas uma capelita com dois palcos de Banda e uma imensa fila de "casitas" de pedra (aqui exponho a minha ignorância porque não sei se aquilo toma alguma nome específico... Para mim apresentam-se como as descrevo) toda à roda da capela desenhando o tal do Adro de que falava...Tudo em pedra, a respirar tempos idos....
Como se não bastasse a beleza da pequena aldeola de pedra, à volta encontramos toda uma imensa paisagem repleta de verde, árvores que nunca mais acabam e que recobrem todo aquele pedaço de céu na terra...Trata-se de um pequeno "vale" numa serra muito bonita e portanto, subindo-se só um senisguinho estamos já perante quilómetros de montes (ex-)verdejantes, de uma paz que só sente quem lá vai olhar...
Depois veio 2005, onde o fogo engoliu a força das raízes que la estavam...



Está tudo negro... o adro, incrívelmente safou-se porque os bombeiros tiveram, com certeza o cuidado de proteger aquela pequena região e só um dos lados é que está mesmo desfeito sendo que tudo à voltinha se mantem com verdes ramos...
De resto... quem quer subir e olhar o que descrevia antes....pode desitir...
Eu passeei duas horas naquela estrada a olhar a extensão do que vos falo... não tenho metros na minha cabeça para vos dizer quanto foi, nem muito menos experiência para explicar mais ou menos o que queimou... sei dizer que do ponto mais alto não se viam naquela serra mais que duas filitas trémulas de árvores meio chamuscadas! Tudo o resto tresandava á nossa maldade...

Não houve mais que aquele silêncio do não mexer de folhas, do não cantar de pássaros, do não bulir coisa nenhuma...
Restou o cheiro a carvão que faz lembrar o quanto a vida é complicada por ser tão vulnerável; trás à memória, não a paz, mas os problemas que cada um de nós acarreta,e eu, nao fugindo à regra, passei duas horas a passear sem me sentir aliviada do que carregava comigo de triste...Pelo contrário... Fiz-me estranhamente lembrar de tudo...
As duas horas foram sempre na esperança de que naquela pequena curva que ai vem vou ver o outro lado e ele vai estar mais verde...Mas não...
Aquelas pedras mostravam o frias que são, sendo que se mantinham naquela vergonhosa estabilidade sem vida... o que havia modificado eram apenas as vizinhas.. o chão e a cor que as pintava...Mais nada...
Passeei sózinha...Literalmente!
A certa altura ainda vi mais o cúmulo de um par de máquinas a trabalhar ali para escavar alguma coisa de "útil" daquilo tudo. O bater daquele metal ja não ressoava a atentado porque já ali não há vida!!
Continuei enquanto houve estrada para subir... Como antes disse, sempre na estúpida esperança...
Entre as nove e as onze manhã solarenga não se via vivo verde!
Não cheguei sequer a parar um pouco para apreciar, como costumava fazer... Para quê ver aquele negrume espalhado como se de um espirro tudo estivesse negro...

E pronto... o meu negro dia também já começou hoje tendo de deixar ir aquela família de que tanto gostamos, aquela menina que tanto me apoia:) Obrigada Ana:o) Por teres estado, por seres quem és, por acompanhar sempre e ajudar mais ainda...
Obrigada a todos os daí de casa:) todos sabem o quanto mais gostamos de vocês a cada dia que passa! Foi mesmo um grande prazer ter-vos aqui; Não consegui expressa-lo no momento por ser ainda a chorona de sempre... Mas digo-o aqui com as minhas palavritas complicadas de quem quer codificar o que somente se sente com o coração...
Já tenho mas é saudades, o ano que vem quero já saber da semana em que vêm!! Mas entretanto muita carta vai rolar nesse correio português não é??
Cuidem-se muito, tudo o que não podemos nós daqui!!

***

16 agosto 2005

Por altura dos 30 anos de casados dos meus lindos papás!!


Hoje quero muito chorar

Chorar de cansaço
Deste dia feliz
De trabalho.

Chorar de tristeza
De que esta saudade
Vá morrer hoje
Quando te vir!

Chorar de emoção
Ao ver meu dia terminar
outra vez,
São.
Ao teu lado.

Chorar de alegria
Por saber-te
Por momentos
Eternos
Perto e longe de mim.