De repente chega-me uma amiga à beira e diz:
- " Rosana, dia 8 de Agosto, se fazes o favor, vens comigo num passeio da minha catequese, com os meus putos, para me ajudar a controla-los ok?".
Olha eu, uma mocinha que dificilmente tem paciência para aturar o primo, ia agora com 60 putos, de idades compreendidas entre os quatro e os quinze anos, ao Zoo da Maia!!!!LOL...

Claro que aceitei sem pensar muito no assunto, é sempre bom melhorar naquilo que se julga pouco desenvolvido em nós para, precisamente, controlar a ENÉRCIA que secretamente nutrimos por esse tal afazer. Ora, eu e as crianças sempre nos demos bem ( a questão é que não variamos demasiado;o)) mas estar eu e 60 crianças na responsabilidade é(como dizer logo de manhã assim com os neurónios meio aturdidos?)
ATERRADORRRRRRR!!!
Mas, como digo, nunca tive medo de trabalho e nada seria do outro mundo!
Toca a andar!
Os dias iam passando de encontro lá ao tal dia e, essa minha amiga disse-me entretanto que seriam, a meu cargo, SETE crianças de entre os 7 a 8 anos, mas que os grupos seriam apenas formalidades uma vez que todos estávamos a cargo de todos; nenhum, de maneira alguma, poderia lá ficar nem cena do género...Iamos ás sete e meia e vinhamos ás nove da noite!!(mais de doze horas!!Ou seja, o padrão não melhorava a cada vez que a miuda me falava do passeio, mas siga...
Lá chegou o tal diita:
Levantar às sete da matina, tomar o pequeno-almoço com o ricoré e bolachinhas, e sair já por volta das sete e meia para a camionete....
Primeiro pensamento lógico do dia (até esse momento os pensamentos eram pouco lógicos ou desprovidos de interesse):
"TANTO PUTO JUNTOOOOO!!!!!!!!!!!!!!"
A minha amiga, via-os chegar aos quilos e nem ponta de susto; aquela criatura ( a Li) parece que estava sempre à espera que chegasse mais alguém e eu sempre a pensar de onde seria que eles estavam a sair; porquê que não tinham tido um contra-tempo ou um sono mais pesado para ,pelo menos, dar aso à esperança de ter seis em vez de sete... sei lá...
Mimava-me a ideia de que não seria a única com miudos para cuidar mas era complicado entender que fosse a única com aquela faixa etária!
Pahhh, basicamente, qualquer coisa, me fazia lembrar o facto de que eu não tinha experiência com miudos, nem nunca tinha pensado em tantos, todos juntos....Como seria se eu agora falhasse à Li?
Só me acalmava pensar que esta minha amiga, exactamente no ano anterior, tinha levado as mesmas criaturas a um outro passeio tendo todos eles A SEU cargo, ou seja,os tutores que ela tinha arranjado tinham falhado na altura e nem assim ela desistiu, tendo, no fim do dia, entregue aos respectivos pais ou encarregados os meninos em boas condições:o).Portanto a ideia era mesmo, ela aguentou com 60 eu aguento com sete...
Demos início à viagem, fui apresentada lá aos pequenitos e maiorzitos,


pusemos as t-shirts que a organizadora-mor tinha engenhosamente mandado fazer (deu imenso jeito para identificar os Pinchantes nos mais diversos lugares), os mais pequenos ainda tiveram direito a uma flôr colorida com o seu nome e um número de telefone em caso do temível caso de perda (idéia luminosa da comandante Li porque nós não sabiamos o nome deles (nunca os tinhamos visto)) e lá fomos nós....
Aquele meu medo dissipou-se no primeiro instante. A situação de viagem tinha, para aquela gente de palmo e meio, sido o suficiente para gostarem de mim, de forma que só naquele meio tempo entre sair da carrinha e esperar que o senhor condutor nos viesse abrir a mala para tirarmos as lancheiras, eu já tinha meninos agarrados a mim, a contar-me coisas e a engendrar outras.
A questão do nome não foi fácil, alguns ouviam Rosana e assustavam-se, de forma que recorri a Zana e outros achavam Zana esquesito de mais e chamavam Rosana... Enfim, todos com uma vontade imensa de conhecer ( e qualquer adulto perguntaria já qual a vantagem de conhecer alguém assim só porque temos que passar um dia juntos).
Inventei de os por a fazer "Hop Hop" para marcherem direitinhos ao passar na passadeira e a coisa pegou em massa, já não eram só os meus que tinham gostado da idéia mas antes toda a população mais pequena; aproveitanto a adesão escolhi esse nome para os juntar nos momentos mais críticos.
Fiz com eles o trato de que andariam mais ou menos por volta dos grupo grande e assim sendo podiam andar à vontade; era indispensável no entanto que me viessem fazer um "hop" de vez em quando para eu saber como estavam!

Incrivelmente resultou, todos e cada um fizeram questão de me vir fazer a continência de quando em vez, e até faziam questão de convidar para ver os bichos mais esquisitos ("Piton Real") ou os mais conhecidos ("Nemo!!!!!"). Mesmo os grandes foram cuidadosos em respeitar as regras básicas e ajudaram no entretenimento colectivo sem problemas; aceitaram os três estranhos que se tinham metido ao barulho naquele dia, sem qualquer entrave.
Das inocências ouvimos as coisas mais caricatas ( do género de uma menina de seis aninhos nos vir avisar atónita que as Zebras estavam "-AO ESTOURO!!!! Uma subiu para cima da outra e está-lhe a dar ponta-pés!!!!";"- SABES? EU GRITO MUITO PORQUE A MINHA AVÓ É PEIXEIRA!!!"-Note-se que desta a miuda era mesmo um altifalante em forma humana sendo que demonstrava um enorme prazer no efeito.).
Passamos depois para Guimarães, o berço da nação;fomos inevitávelmente ao castelo

mais à penha e conte-se que mesmo lá, entre as explicações da guia, tapeçaria, etc, os meninos se comportaram melhor do que muita gente grande e posso dar-me ao luxo de ser

LITERAL nessas palavras...
Na Penha todos passaram pela capela que lá está e TODOS se sentaram dois minutos (como mínimo) para rezar uma Ave-Maria ao menos, sem reclamações, sem birras, sem complicações, sem nada rigorosamente (o barulhinho de fundo faz parte deles, não é?).
Bom...
Na conclusão de tudo isto tenho a agradecer á Li, por me ter posto nisto e aos meus "Hops" como ficamos conhecidos os 10 que acabamos por ser no fim do dia, porque realmente passei a ter um

conceito dife

rente da cena; Cheguei a várias conclusões de entre as quais destaco a de que deviamos ser mais crianças nos momentos importantes, entregarmos tudo, confiar e não ver o que não compreendemos (ou por outra arranjar uma boa e sensata explicação para tudo o que não está concebido na nossa cabeça). Dos adultos apenas teriamos que aproveitar a força de enfrentar as coisas, a responsabilidade e o hombridade, quando existentes.
Aceitar a diferença tal e qual como se fosse uma igualdade ou perguntar muito e indiscriminadamente para perceber,se realmente não entendemos sendo que não nos devessemos contrangir de responder.
Deviamos ser mais inocentes....TODOS!
Mesmo que nunca cheguemos a perceber como o fazem...
Pronto... E eis o passeio que me fez tanto bem ao espírito:o)